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Desemprego cai para 5,6% em 2025 e atinge menor nível da história, diz IBGE

Número de pessoas sem trabalho recua para 6,2 milhões; emprego cresce mesmo com juros altos

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
30/01/2026 às 13h49 Atualizada em 30/01/2026 às 18h28
Desemprego cai para 5,6% em 2025 e atinge menor nível da história, diz IBGE
Foto: Reprodução/Freepik

A taxa média de desemprego no Brasil ficou em 5,6% em 2025, o menor patamar desde o início da série histórica, em 2012, segundo dados divulgados pelo IBGE. O índice caiu 1 ponto percentual em relação a 2024, quando era de 6,6%.

Na comparação com 2019, antes da pandemia, a redução foi ainda maior. Já em relação a 2012, quando a taxa era de 7,4%, a queda foi de 1,8 ponto percentual. No trimestre encerrado em dezembro, o desemprego chegou a 5,1%.

Ao longo de 2025, a população desocupada somou 6,2 milhões de pessoas, cerca de 1 milhão a menos do que em 2024. Isso representa uma redução de 14,5% em um ano.

Segundo Adriana Beringuy, analista do IBGE responsável pela PNAD Contínua, a queda do desemprego ocorreu mesmo com a taxa básica de juros em nível elevado porque o crescimento do emprego se concentrou em setores menos dependentes de crédito.

“O efeito dos juros não é igual para toda a economia. As atividades que mais contrataram não são as que mais precisam de financiamento”, explicou.

Atualmente, a taxa Selic está em 15% ao ano, o maior patamar em cerca de duas décadas. Normalmente, juros altos dificultam o crédito, reduzem investimentos e freiam contratações, mas esse impacto foi amenizado em 2025.

 

Renda maior impulsionou a economia

De acordo com o IBGE, o principal motor da atividade econômica foi o crescimento da renda do trabalhador, e não o aumento do crédito. Esse avanço veio de diferentes fatores:

  • expansão do emprego em serviços com maior escolaridade e salários mais altos, como informação, comunicação, atividades financeiras e administrativas;

  • aumento do salário mínimo, que beneficiou trabalhadores de menor renda;

  • melhora na qualidade das ocupações, com mais formalização.

Com mais renda disponível, o consumo se concentrou em serviços e bens básicos, como alimentação, vestuário e serviços pessoais.

O nível de ocupação, que mede a proporção de pessoas trabalhando em relação à população em idade ativa, chegou a 59,1% em 2025, o maior da série histórica.

Ao todo, o Brasil teve 103 milhões de pessoas ocupadas, número recorde desde 2012. O total é 1,7% maior do que em 2024.

A taxa de subutilização da força de trabalho caiu para 14,5%, contra 16,2% em 2024. A população subutilizada somou 16,6 milhões de pessoas, queda de 10,8% em um ano.

Já o número de desalentados — pessoas que desistiram de procurar emprego — caiu para 2,9 milhões, uma redução de 9,6% em relação ao ano anterior.

 

Mercado formal cresce

O mercado de trabalho formal também avançou:

  • trabalhadores com carteira assinada: 38,9 milhões (alta de 2,8%);

  • trabalhadores sem carteira: 13,8 milhões (queda de 0,8%);

  • trabalhadores por conta própria: 26,1 milhões (alta de 2,4%).

A taxa de informalidade caiu de 39% para 38,1%, indicando leve melhora na estrutura do mercado de trabalho.

 

Rendimento em alta

O rendimento médio real do trabalhador chegou a R$ 3.560 em 2025, aumento de 5,7% em relação a 2024.

Já a massa total de rendimentos somou R$ 361,7 bilhões, o maior valor da série histórica, com crescimento de 7,5% em um ano.

Entre os setores que mais puxaram o emprego em 2025, destacam-se:

  • informação, comunicação e atividades financeiras e administrativas: alta de 6,8%;

  • administração pública, educação e saúde: crescimento de 5%;

  • indústria: avanço moderado de 2,3%.

Em contrapartida, a construção civil registrou queda de 3,9%, refletindo maior sensibilidade aos juros altos.

 

Perspectivas

Economistas avaliam que o mercado de trabalho deve continuar forte em 2026, embora com possível leve aumento do desemprego, acompanhando um crescimento mais moderado da economia.

A expectativa é que o emprego siga como um dos principais pilares da renda e do consumo das famílias no país.

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