
A Rússia realizou um dos maiores ataques aéreos contra a Ucrânia desde o início da guerra, na madrugada desta terça-feira (3/2), poucos dias antes de uma nova rodada de negociações de paz prevista para os dias 4 e 5 de fevereiro, em Abu Dhabi.
Segundo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, as forças russas lançaram mais de 70 mísseis e cerca de 450 drones de ataque, aproveitando o período de temperaturas extremas do inverno.
“Aproveitar-se dos dias mais frios do inverno para aterrorizar as pessoas é mais importante para a Rússia do que recorrer à diplomacia”, escreveu Zelensky em uma publicação na rede X.

De acordo com as autoridades ucranianas, os ataques atingiram diversas regiões do país, incluindo Kyiv (Kiev), Kharkiv, Sumy, Dnipro, Odessa e Vinnytsia. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, afirmou que instalações de energia e áreas residenciais estiveram entre os principais alvos.
Zelensky voltou a defender o aumento da pressão internacional sobre Moscou e afirmou que, sem medidas mais duras, não haverá avanço no fim do conflito. “A Rússia está escolhendo o terror. Por isso, é necessária a máxima pressão”, declarou.

O ataque ocorreu às vésperas da retomada das negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos. Nos dias anteriores, havia expectativa de uma trégua parcial, especialmente para evitar ataques contra o sistema energético ucraniano durante o inverno rigoroso.
No entanto, segundo Kiev, a ofensiva desta terça representou o rompimento desse entendimento informal. Autoridades ucranianas afirmam que foi o maior uso de mísseis balísticos em uma única noite desde o início da guerra.
No mesmo dia do ataque, o governo russo afirmou estar preparado para o fim do tratado New START, acordo nuclear com os Estados Unidos que limita o número de ogivas estratégicas. O pacto expira em 5 de fevereiro e não deve ser renovado.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, alertou que o fim do acordo pode deixar o mundo em uma situação “mais perigosa”. Já o ex-presidente russo Dmitry Medvedev afirmou que o encerramento do tratado pode dar início a uma nova corrida armamentista.
Se confirmado, será a primeira vez desde 1972 que não haverá limites legais para os arsenais nucleares das duas maiores potências militares do mundo.