
A Polícia Federal realizou, na manhã desta sexta-feira (6), uma operação para investigar suspeitas de irregularidades na aplicação de recursos da Amapá Previdência (Amprev). Um dos alvos é o presidente da autarquia, Jocildo Silva Lemos. A ação foi autorizada pela 4ª Vara da Justiça Federal e recebeu o nome de Operação Zona Cinzenta.
Segundo a PF, a investigação envolve investimentos de aproximadamente R$ 400 milhões do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá em Letras Financeiras do Banco Master — operação considerada de alto risco para um fundo previdenciário.
Além de Jocildo Lemos, também são investigados Jackson Rubens de Oliveira e José Milton Afonso Gonçalves, integrantes desse comitê. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na sede da autarquia, em Macapá.
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro, após a identificação de uma grave crise de liquidez. O banco pertence ao empresário Daniel Vorcaro, que é alvo de outras investigações envolvendo aplicações de fundos públicos em diferentes estados.
A Polícia Federal afirma que o objetivo da operação é verificar se houve gestão temerária ou fraudulenta e se o patrimônio público foi exposto a riscos incompatíveis com a finalidade previdenciária.

Jocildo Lemos assumiu a presidência da Amprev em 2023, indicado pelo governador do Amapá, Clécio Luís, com apoio do presidente do Senado, o senador Davi Alcolumbre (União-AP) Davi Alcolumbre. A assessoria do senador informou, em nota, que ele defende apuração completa dos fatos e punição dos responsáveis, caso sejam comprovadas irregularidades.
Até a última atualização desta reportagem, apenas a Amprev se manifestou oficialmente. Em nota, a autarquia afirmou que se considera lesada pelas práticas do Banco Master, que os investimentos no banco representam 4,7% da carteira total, e que já adotou medidas judiciais para buscar ressarcimento e bloquear repasses. A Amprev também declarou que o fundo segue financeiramente sólido e que os pagamentos a aposentados e pensionistas estão garantidos.
A Polícia Federal informou que as investigações continuam e que novas informações poderão ser divulgadas conforme o avanço do inquérito.