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Amapá Previdência é investigada por aplicar R$ 400 milhões no Master

PF mira cúpula da Amapá Previdência em investigação sobre títulos considerados de alto risco; presidente da Amprev está entre os alvos

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
06/02/2026 às 14h34
Amapá Previdência é investigada por aplicar R$ 400 milhões no Master
Foto: Reprodução

A Polícia Federal realizou, na manhã desta sexta-feira (6), uma operação para investigar suspeitas de irregularidades na aplicação de recursos da Amapá Previdência (Amprev). Um dos alvos é o presidente da autarquia, Jocildo Silva Lemos. A ação foi autorizada pela 4ª Vara da Justiça Federal e recebeu o nome de Operação Zona Cinzenta.

Segundo a PF, a investigação envolve investimentos de aproximadamente R$ 400 milhões do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá em Letras Financeiras do Banco Master — operação considerada de alto risco para um fundo previdenciário.

  • De acordo com as apurações, as aplicações foram feitas em um curto intervalo de tempo e aprovadas em sequência pelo comitê de investimentos da Amprev.

Além de Jocildo Lemos, também são investigados Jackson Rubens de Oliveira e José Milton Afonso Gonçalves, integrantes desse comitê. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na sede da autarquia, em Macapá.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro, após a identificação de uma grave crise de liquidez. O banco pertence ao empresário Daniel Vorcaro, que é alvo de outras investigações envolvendo aplicações de fundos públicos em diferentes estados.

A Polícia Federal afirma que o objetivo da operação é verificar se houve gestão temerária ou fraudulenta e se o patrimônio público foi exposto a riscos incompatíveis com a finalidade previdenciária.

 

Relação política e resposta da Amprev

Jocildo Lemos assumiu a presidência da Amprev em 2023, indicado pelo governador do Amapá, Clécio Luís, com apoio do presidente do Senado, o senador Davi Alcolumbre (União-AP) Davi Alcolumbre. A assessoria do senador informou, em nota, que ele defende apuração completa dos fatos e punição dos responsáveis, caso sejam comprovadas irregularidades.

Até a última atualização desta reportagem, apenas a Amprev se manifestou oficialmente. Em nota, a autarquia afirmou que se considera lesada pelas práticas do Banco Master, que os investimentos no banco representam 4,7% da carteira total, e que já adotou medidas judiciais para buscar ressarcimento e bloquear repasses. A Amprev também declarou que o fundo segue financeiramente sólido e que os pagamentos a aposentados e pensionistas estão garantidos.

A Polícia Federal informou que as investigações continuam e que novas informações poderão ser divulgadas conforme o avanço do inquérito.

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