
As despesas da União com diárias, passagens e locomoção atingiram R$ 3,88 bilhões em 2025, o maior patamar em 11 anos. O valor representa um aumento real de 3,7% em relação a 2024 e ocorre durante o terceiro mandato do presidente Lula, segundo dados do Tesouro Nacional.
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A série histórica, iniciada em 2011, mostra que o gasto com viagens oficiais voltou a crescer de forma consistente nos últimos anos. Em 2024, a despesa havia sido de R$ 3,74 bilhões. Do total registrado em 2025, R$ 1,63 bilhão foi destinado a passagens e locomoção, alta de 9% em relação ao ano anterior, enquanto as despesas com diárias somaram R$ 2,25 bilhões, com leve avanço de 0,2%.
Parte desse aumento é atribuída à ampliação da estrutura administrativa do governo federal. Logo no início do terceiro mandato, Lula elevou o número de ministérios de 23 para 38, o que ampliou a demanda por deslocamentos e compromissos oficiais. No conjunto, os gastos da administração pública federal chegaram a R$ 72,7 bilhões em 2025, alta real de 11,6% frente a 2024 e o maior nível desde 2016.
Entre 2023 e 2025, os gastos com viagens somaram R$ 11,24 bilhões, superando o total registrado durante os quatro anos do governo Jair Bolsonaro, que foi de R$ 8,32 bilhões. Os menores valores da série foram observados em 2020 e 2021, período marcado pelas restrições impostas pela pandemia de covid-19.
Câmara também amplia despesas com missões internacionais

Na Câmara dos Deputados, o gasto com diárias para viagens oficiais cresceu 78% no primeiro ano da gestão de Hugo Motta, passando de R$ 2,1 milhões em 2024 para R$ 3,8 milhões em 2025. O número de deputados beneficiados subiu de 153 para 202, e o total de diárias pagas quase dobrou no período.
Destinos internacionais concentraram a maior parte das viagens, com Lisboa liderando a lista, impulsionada por eventos como o Fórum Jurídico conhecido como “Gilmarpalooza”. Londres, Nova York, Roma, Genebra e Buenos Aires também figuram entre os locais mais visitados. As diárias cobrem despesas como hospedagem e alimentação, mas não incluem passagens aéreas nem o uso de aeronaves da FAB.
Parlamentares ouvidos justificaram os deslocamentos como parte de missões institucionais, participação em fóruns internacionais e atividades de diplomacia parlamentar. A Câmara também destaca que o reajuste de até 60% no valor das diárias, aprovado em 2024, contribuiu para o aumento das despesas.
O crescimento dos gastos com viagens reacende o debate sobre o uso de recursos públicos em missões oficiais, em um contexto de maior protagonismo internacional do governo e do Congresso. Enquanto Executivo e Legislativo defendem a necessidade de presença em fóruns globais, os números colocam o tema novamente no centro das discussões sobre transparência e controle de despesas.