
O advogado e ex-deputado Juan Pablo Guanipa, um dos opositores mais antigos do regime venezuelano, foi preso novamente poucas horas após ser libertado, no domingo (8), na Venezuela. A oposição denuncia que ele foi sequestrado por homens armados à paisana, enquanto o Ministério Público afirma que a nova detenção ocorreu por descumprimento dos termos da liberdade concedida.
Segundo a líder opositora María Corina Machado, Guanipa foi levado à força no bairro de Los Chorros, em Caracas.
“Homens fortemente armados, vestidos à paisana, chegaram em quatro veículos e o levaram. Exigimos sua libertação imediata”, afirmou Machado.
O filho do político, Ramón Guanipa, disse que cerca de 10 homens armados e não identificados participaram da ação e pediu prova de vida imediata do pai.
Após a repercussão, o Ministério Público da Venezuela confirmou a nova prisão. Em nota, o órgão afirmou que solicitou à Justiça a revogação da medida cautelar, alegando que Guanipa violou as condições impostas para sua libertação.
Embora não tenha detalhado quais regras teriam sido descumpridas, o Ministério Público afirmou que pediu ao tribunal que o opositor seja submetido a prisão domiciliar. Em casos semelhantes, beneficiários dessas medidas costumam ser proibidos de conceder entrevistas, algo que Guanipa fez após deixar a prisão.
Juan Pablo Guanipa, de 61 anos, foi deputado da Assembleia Nacional e é aliado próximo de María Corina Machado. Ele foi preso em maio de 2025, após meses na clandestinidade, acusado pelo governo de liderar um complô terrorista.
A prisão ocorreu dois dias antes das eleições regionais e legislativas e foi anunciada publicamente pelo ministro do Interior, Diosdado Cabello, que exibiu imagens da captura.
Guanipa havia sido libertado no domingo (8), junto com outros presos políticos. Em um vídeo divulgado após deixar a prisão, afirmou:
“Depois de quase nove meses detido, estamos saindo em liberdade. Há muito a falar sobre o presente e o futuro da Venezuela, sempre com a verdade em primeiro plano.”
Poucas horas depois, ele foi novamente levado pelas forças de segurança, segundo a oposição.
As libertações ocorreram em meio à pressão internacional e a uma visita de representantes do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos. Segundo a ONG Foro Penal, ao menos 35 presos políticos foram libertados no domingo.
Guanipa questionou publicamente a reeleição de Nicolás Maduro em 2024, eleição que a oposição considera fraudulenta por falta de transparência. Após o pleito, a ONG estima que cerca de 1.800 pessoas tenham sido presas por motivos políticos.
O partido Primero Justicia, ao qual Guanipa é ligado, responsabilizou figuras centrais do governo, como Delcy Rodríguez, Jorge Rodríguez e Diosdado Cabello, por qualquer dano à integridade física do opositor.
A oposição venezuelana afirma que a nova prisão reforça o uso do sistema judicial como instrumento de repressão política e cobra a libertação imediata de Juan Pablo Guanipa.