
Um estudante da Universidade Federal de Goiás (UFG) colocou Goiás no radar da UNESCO ao desenvolver uma solução inovadora na indústria alimentícia: um chocolate sem gordura, que mantém sabor e textura tradicionais, mas com perfil nutricional mais equilibrado.
O engenheiro químico Gustavo Henrique Rocha, que atualmente cursa doutorado em tecnologia de alimentos, criou uma fórmula que reaproveita o chamado “mel de cacau”, um subproduto do processamento do fruto que costuma ser descartado.
Segundo o pesquisador, no chocolate convencional quase 90% do fruto do cacau não é aproveitado. A proposta é dar valor a esse material e reduzir desperdícios.
“O mel do cacau é rico em açúcares naturais, antioxidantes e minerais. Além de trazer benefícios nutricionais, pode reduzir o preço do chocolate”, explicou ao jornal O Popular.

O projeto foi selecionado para um programa internacional de aceleração e reconhecimento científico. Para Gustavo, o destaque fora do país representa um marco na trajetória.
“É muito gratificante ver uma ideia que nasceu dentro da universidade ganhar reconhecimento nacional e internacional e impactar as pessoas”, afirmou.
A iniciativa integra um modelo de economia regenerativa, ao transformar resíduos em ingredientes com valor agregado.
Em 2022, Gustavo representou Goiás em Nova York, em um evento ligado à Organização das Nações Unidas (ONU), por meio do desafio Thought For Food (TFF), voltado a soluções sustentáveis para alimentar 10 bilhões de pessoas até 2050. O projeto “Elixir Food” foi o único finalista da América Latina entre mais de 3 mil propostas de 140 países.
Já em 2024, a startup Nutricandies, desenvolvida pelo pesquisador, foi semifinalista do prêmio World Food Forum Startup Innovation Awards, promovido pela Food and Agriculture Organization (FAO), agência da ONU voltada ao combate à fome.
A empresa foi a única brasileira na semifinal e concorreu na categoria “Bom para todos, para hoje e amanhã”, pelo uso de subprodutos no sistema agroalimentar.
O chamado mel de cacau é um líquido que escorre das amêndoas durante a produção do chocolate. É altamente perecível e precisa ser congelado imediatamente após a extração. Muitos produtores utilizam o líquido para consumo como bebida ou simplesmente o descartam.
Segundo dados da FAO de 2019, o Brasil descarta cerca de 52 mil toneladas desse subproduto por ano.
A fórmula desenvolvida por Gustavo transforma o mel de cacau em substituto de adoçantes industriais, podendo ser usado como ingrediente em chocolates e outros alimentos.
O projeto une inovação científica, sustentabilidade e redução de desperdício, reforçando o protagonismo da pesquisa desenvolvida em Goiás no cenário internacional.