
As fortes chuvas que atingiram Minas Gerais nas últimas semanas provocaram destruição em diversas cidades, deixando mortos, milhares de desalojados e prejuízos em infraestrutura urbana.
A tragédia tem afetado especialmente municípios da Zona da Mata mineira, onde chuvas intensas provocaram deslizamentos de terra, enchentes e destruição de bairros inteiros.
A cidade de Juiz de Fora registrou mais de 60 mortes após os temporais do fim de fevereiro, em um desastre marcado por deslizamentos de encostas e grandes enchentes simultaneamente.
Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a tragédia não ocorreu sem sinais prévios.
Dados do órgão mostram que o número de deslizamentos vinha crescendo na cidade desde 2020, com pico em 2023, indicando aumento da instabilidade do solo e maior recorrência de eventos extremos.
Além disso, Juiz de Fora está entre as cidades brasileiras com maior ocupação urbana em áreas de encosta. Mesmo com cerca de 540 mil habitantes, o município ocupa o terceiro lugar no país em área construída em terrenos com inclinação acima de 30%, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro.
Outro fator que agravou a tragédia foi o volume excepcional de chuva. Apenas em fevereiro, o município registrou mais de 750 milímetros de precipitação, cerca de três vezes acima da média histórica para o mês.
Especialistas também apontam que a combinação de solo saturado, ocupação em áreas de risco e falhas estruturais na prevenção contribuiu para transformar a chuva extrema em desastre humano.

Já em Ubá, uma das cidades mais atingidas pelas enchentes recentes, a situação agora é de reconstrução e solidariedade entre os moradores.
Imagens enviadas pela moradora Priscila, que acompanham a reportagem, mostram voluntários ajudando a limpar estabelecimentos comerciais atingidos pela lama, incluindo uma hamburgueria da família, onde amigos e moradores se reuniram para retirar entulho e permitir que o local volte a funcionar.
A cena tem se repetido em vários pontos da cidade, onde comerciantes e moradores tentam retomar a vida econômica e reconstruir os negócios destruídos pela água.
Ubá soma sete mortes e uma pessoa desaparecida após as enchentes. Com cerca de 103 mil habitantes, o município teve grande parte da infraestrutura urbana afetada.
De acordo com a prefeitura:
4 pontes foram destruídas e outras 3 estão inoperantes
31 pontes rurais foram danificadas
650 quilômetros de estradas vicinais foram comprometidos
Ao todo, 42 frentes de trabalho atuam na limpeza da cidade, além de equipes de engenheiros, agentes de segurança e 77 militares do Exército.
O abastecimento de água já foi restabelecido em 94% do município, mas ainda há 27 pessoas desabrigadas em abrigos municipais e 4.480 desalojadas, que tiveram que deixar temporariamente suas casas.
Em razão dos impactos das enchentes, a Prefeitura de Ubá decidiu manter as aulas suspensas até esta sexta-feira (6) em escolas municipais, estaduais, federais e também na rede particular.
Muitas ruas ainda apresentam dificuldades de acesso e mobilidade, o que dificulta o retorno à rotina da cidade.
No último sábado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a região e afirmou que “o centro da cidade está destruído”, após percorrer áreas atingidas em Ubá e também em Juiz de Fora.
Enquanto o poder público trabalha na reconstrução da infraestrutura, moradores seguem protagonizando um movimento de solidariedade e apoio coletivo para tentar recuperar a cidade e retomar as atividades econômicas.