
O Grupo Pão de Açúcar anunciou nesta terça-feira (10) um plano de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas com credores. A medida busca reorganizar as finanças da companhia e evitar um processo mais complexo de recuperação judicial.
Segundo a empresa, as operações seguem normalmente, sem fechamento imediato de lojas ou interrupção de serviços.
A recuperação extrajudicial é um mecanismo que permite à empresa renegociar parte das dívidas diretamente com credores, fora da Justiça, com o objetivo de obter mais prazo ou novas condições de pagamento e reduzir o risco de insolvência.
Diferentemente da recuperação judicial, o processo não envolve todos os credores e não depende de uma tramitação judicial extensa, o que costuma tornar a renegociação mais rápida.
No caso do GPA, o plano tem efeito imediato e prazo inicial de 90 dias, período em que a companhia deve avançar nas negociações com credores.
Dívidas com fornecedores, parceiros comerciais, clientes e obrigações trabalhistas não entram no acordo.
Entre os principais fatores apontados estão:
queda no consumo em meio à inflação de alimentos;
juros elevados, que aumentaram o custo das dívidas;
gastos com mudanças na gestão;
pagamento de passivos fiscais e trabalhistas;
fechamento ou desempenho fraco de algumas lojas.
No balanço financeiro mais recente, o grupo chegou a alertar investidores sobre dúvidas em relação à capacidade de manter as operações no longo prazo.
Segundo dados divulgados pela empresa:
dívida bruta: cerca de R$ 4 bilhões
dívida líquida: aproximadamente R$ 2 bilhões
prejuízo em 2025: cerca de R$ 651 milhões
Além disso, o GPA registrava um déficit de cerca de R$ 1,2 bilhão no fim do ano passado, principalmente por causa de empréstimos e títulos com vencimento previsto para 2026.
A renegociação atual envolve R$ 4,5 bilhões em dívidas.
O plano já conta com apoio de credores que representam 46% do valor total das dívidas incluídas no acordo, o equivalente a cerca de R$ 2,1 bilhões.
Esse percentual supera o mínimo exigido pela legislação para iniciar o processo de recuperação extrajudicial.
Durante a negociação, está prevista a suspensão temporária do pagamento dessas dívidas, enquanto novas condições são discutidas.
O GPA também passou por mudanças importantes na administração nos últimos meses. O Grupo Coelho Diniz tornou-se o principal acionista da companhia, com 24,6% das ações. Já o grupo francês Casino, antigo controlador, ainda possui 22,5% da empresa.
Em outubro, o empresário André Coelho Diniz assumiu a presidência do conselho de administração. Pouco depois, o então CEO Marcelo Pimentel deixou o cargo.
No início de 2026, Alexandre Santoro foi eleito novo diretor-presidente.
Apesar da crise financeira, o GPA segue entre os maiores grupos de varejo alimentar do país. A empresa possui 728 lojas no Brasil, distribuídas entre diferentes bandeiras:
187 lojas Pão de Açúcar
164 Extra Mercado
155 Mini Extra
221 Minuto Pão de Açúcar
O grupo também mantém marcas próprias vendidas nas lojas, como Qualitá, Taeq, Pra Valer e Club des Sommeliers.
Em comunicado ao mercado, o GPA afirmou que o plano de renegociação foi estruturado para preservar o funcionamento do negócio enquanto as negociações avançam.
Segundo a companhia, a iniciativa busca melhorar o perfil da dívida, reforçar o caixa e garantir sustentabilidade financeira no longo prazo, mantendo as operações e o atendimento aos clientes em todo o país.