
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou nesta segunda-feira (9 de março) a comercialização no Brasil do Teplizumabe, primeiro remédio autorizado no país que atua diretamente no processo que leva ao desenvolvimento da Diabetes Tipo 1.
A nova terapia representa uma mudança importante na forma de lidar com a doença. Diferentemente do tratamento tradicional, que se baseia na reposição de insulina, o medicamento atua no sistema imunológico, tentando impedir a progressão do problema.
Segundo estudos clínicos, o tratamento pode adiar o surgimento dos sintomas por até dois anos em alguns pacientes.
Sem insulina suficiente, o corpo não consegue controlar corretamente os níveis de glicose no sangue.
A doença costuma aparecer principalmente em crianças e adolescentes, com maior incidência entre 10 e 14 anos, mas também pode surgir em adultos.
No Brasil, a estimativa é de 25,6 novos casos por 100 mil habitantes por ano, índice considerado elevado.
O tratamento tradicional exige uso diário de insulina para controlar a glicose e evitar complicações.
Nessa fase:
já existem autoanticorpos associados ao diabetes tipo 1
há alterações nos níveis de glicose
mas os sintomas ainda não apareceram
A ideia é justamente retardar a evolução para o estágio clínico da doença, quando o diabetes passa a se manifestar claramente.
O teplizumabe é um anticorpo monoclonal, ou seja, um medicamento produzido em laboratório para agir de forma específica em células do sistema imunológico.
Na diabetes tipo 1, o sistema de defesa do corpo ataca por engano as células beta do pâncreas.
O medicamento atua modulando essa resposta imunológica, o que ajuda a preservar parte das células responsáveis pela produção de insulina.
Com isso, a progressão da doença pode ser retardada.
O tratamento com teplizumabe é realizado por infusão intravenosa, geralmente em hospital ou ambulatório.
O esquema terapêutico consiste em:
uma aplicação por dia
durante 14 dias consecutivos
Por atuar diretamente no sistema imunológico, o medicamento é classificado como imunomodulador.
Especialistas ressaltam que o remédio não substitui a insulina quando o diabetes já está instalado. O objetivo principal é ganhar tempo antes do aparecimento dos sintomas, especialmente em pessoas com alto risco de desenvolver a doença.