
A empresária Bianca Araújo Medeiros, cunhada do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), firmou em 2024 um empréstimo de cerca de R$ 22 milhões com o Banco Master. O financiamento teve como garantia a totalidade das cotas de uma empresa controlada por ela e foi destinado à compra de um terreno em João Pessoa, na Paraíba.
Contrato envolveu empresa e garantias fiduciárias
Documentos registrados na Junta Comercial indicam que 100% das cotas da ETC Participações — empresa assumida por Bianca no mesmo ano — foram alienadas fiduciariamente ao banco como garantia da operação.
O terreno adquirido deve ser utilizado para o desenvolvimento de um novo bairro na capital paraibana. Segundo a empresária, o contrato foi realizado dentro de padrões comuns do mercado e com garantias compatíveis com o valor do financiamento.
Em nota, Bianca afirmou que a escolha do Banco Master ocorreu por critérios negociais e operacionais e destacou que a empresa responsável pela operação é regular e independente.
Ela também ressaltou que sua família possui histórico de atuação empresarial na Paraíba e negou qualquer vínculo societário ou comercial do deputado Hugo Motta com a ETC Participações.
O presidente da Câmara, por sua vez, declarou que o empréstimo se trata de um “negócio entre partes privadas” e que não teve participação na operação. Ele também destacou que o contrato foi firmado antes de assumir o comando da Casa.
Caso ocorre em meio a investigações sobre o Banco Master
O episódio ocorre no contexto de investigações que envolvem o Banco Master e seu proprietário, Daniel Vorcaro, alvo de apurações da Polícia Federal e de uma CPMI no Congresso.
Mensagens obtidas durante as investigações indicam que Vorcaro mencionou encontros e conversas com autoridades, incluindo referências a “Hugo”, interpretadas por parlamentares como sendo Hugo Motta.
Em um dos registros, o banqueiro relata participação em um jantar com empresários na residência oficial da Câmara, além de encontros posteriores envolvendo lideranças políticas.
As investigações buscam esclarecer a atuação do banco e possíveis conexões com agentes públicos, especialmente em casos ligados a operações financeiras e suspeitas de irregularidades.
Apesar de o empréstimo ser apresentado como uma operação privada, o contexto em que surge — com o Banco Master no centro de investigações — amplia a atenção sobre relações entre o setor financeiro e agentes políticos. O caso segue sob análise no âmbito das apurações em andamento.