
Países europeus e o Japão sinalizaram nesta quinta-feira (19) que podem ajudar a garantir a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do petróleo no mundo, após a escalada do conflito no Oriente Médio e o fechamento da passagem pelo Irã.
Em comunicado conjunto, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Japão afirmaram estar “prontos” para contribuir com “esforços apropriados” para garantir a navegação segura na região — responsável por cerca de 20% do petróleo consumido globalmente.
A sinalização ocorre dias depois de esses mesmos países rejeitarem um pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para envio de navios militares ao local. A recusa gerou desgaste diplomático, e, nesta quinta-feira, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, chegou a chamar os aliados europeus de “ingratos”.
Apesar da mudança de tom, o novo posicionamento não detalha quais medidas serão adotadas. A expectativa, segundo analistas, é de uma atuação indireta, com apoio logístico, monitoramento marítimo e cooperação internacional — sem envolvimento militar direto imediato.
O Estreito de Ormuz é um dos pontos mais sensíveis da economia mundial. A passagem liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e concentra cerca de 20% de todo o petróleo transportado no planeta.
Nos últimos dias, o Irã anunciou o fechamento da rota e intensificou ataques a navios e instalações energéticas na região, elevando o risco de interrupção no abastecimento global.
Esse cenário já provocou forte reação no mercado. O preço do petróleo disparou, ampliando a preocupação com inflação e custos de energia em diversos países.
No próprio comunicado, os países também indicaram que devem atuar para conter os impactos econômicos da crise, com medidas como liberação de reservas estratégicas de petróleo e articulação com produtores para aumentar a oferta.
Apesar do aceno de cooperação, há diferenças claras entre os aliados sobre o nível de envolvimento no conflito. O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, reforçou que o país não pretende participar diretamente de ações militares.
“Esta não é a nossa guerra, nós não a começamos”, afirmou.
A declaração evidencia a cautela europeia diante da escalada do conflito, mesmo sob pressão dos Estados Unidos.
Com isso, o cenário no Estreito de Ormuz segue indefinido. A eventual reabertura da rota e o grau de participação internacional ainda dependem dos próximos desdobramentos da guerra — que já impacta diretamente o mercado global de energia e a economia de países ao redor do mundo.
O que foi sinalizado
Disposição para ajudar na reabertura do estreito
Apoio à estabilidade do mercado de energia
Possíveis ações
Apoio logístico e de inteligência
Monitoramento marítimo
Cooperação internacional
Impactos
Pressão sobre combustíveis
Risco de desabastecimento
Efeitos na inflação global