
As investigações sobre o chamado Caso Master, que apura suspeitas de fraudes financeiras e uma estrutura paralela de monitoramento ligada ao Banco Master, ganharam novos desdobramentos. Interlocutores do banqueiro Daniel Vorcaro, dono da instituição, afirmam que ele pretende colaborar com os investigadores e negar que esteja negociando uma delação seletiva.
Segundo pessoas próximas ao empresário, Vorcaro responderá a todas as perguntas feitas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Embora o banqueiro preferisse limitar o alcance da colaboração, aliados dizem que ele reconhece que a situação jurídica se agravou e que, em acordos de colaboração, não há espaço para selecionar quais fatos serão revelados.
O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com interlocutores da investigação, a atuação conjunta da Polícia Federal e da PGR reduz a possibilidade de qualquer acordo informal que limite o alcance das apurações.

Paralelamente às discussões sobre a possível colaboração premiada, surgiram novos elementos financeiros no inquérito. Documentos obtidos pela CPI do Crime Organizado indicam que Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, realizou um aporte de R$ 48,5 milhões em 2022 na empresa Super Empreendimentos.
A companhia é citada pela Polícia Federal como uma das estruturas utilizadas pelo grupo investigado para movimentação de recursos ligados a crimes financeiros e lavagem de dinheiro.
Segundo os registros da Junta Comercial de São Paulo, Zettel foi diretor da empresa entre 2021 e 2024. O aporte foi registrado na forma de adiantamento para futuro aumento de capital (AFAC), mecanismo que permite a transferência de recursos para a empresa sem incidência imediata de imposto sobre operações financeiras.
A declaração de Imposto de Renda apresentada por Zettel à Receita Federal indica que o empresário possuía um patrimônio de cerca de R$ 189 milhões em 2022, valor quase três vezes maior que o registrado no ano anterior.
O documento também aponta a aquisição de R$ 15 milhões em relógios e joias no mesmo período. Ainda segundo a declaração, Zettel fez doações eleitorais que somaram cerca de R$ 5 milhões para campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
As defesas de Vorcaro e de Zettel foram procuradas, mas não se manifestaram até a publicação desta reportagem.

Outro personagem citado nas investigações é Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, preso na Operação Compliance Zero.
Segundo a Polícia Federal, ele teria atuado como executor de ordens dentro da estrutura investigada, realizando monitoramento de alvos, obtenção ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação.
Relatórios da investigação indicam ainda que Mourão receberia cerca de R$ 1 milhão por mês pelos serviços prestados ao grupo.
Com novos elementos financeiros e negociações sobre colaboração premiada em andamento, o Caso Master continua ampliando seu alcance. A expectativa entre investigadores é que os próximos depoimentos e eventuais acordos de delação revelem detalhes adicionais sobre a estrutura financeira e os possíveis vínculos políticos do esquema.