
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (25) uma operação para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa Comando Vermelho. A investigação aponta fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal que podem ultrapassar R$ 500 milhões.
A ação faz parte da Operação Rala Nota, que investiga o núcleo financeiro do grupo criminoso conhecido como “Bonde do Magrelo”, que atua no interior de São Paulo.
Entre os alvos da operação estão executivos ligados à Fictor, empresa que chegou a anunciar, em novembro do ano passado, uma tentativa de compra do Banco Master, pouco antes da primeira prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Um dos mandados de busca foi cumprido contra o CEO da Fictor, Rafael Gois, cujo celular foi apreendido. Também foi alvo da investigação o ex-sócio Luiz Phillippe Rubini, que comandava o braço de investimentos da empresa, o Fictor Invest.
Ao todo, a operação cumpre 21 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
No interior paulista, os mandados foram executados em municípios como Piracicaba, Limeira, Santa Bárbara d’Oeste, Americana, Itapira e Rio Claro.
Durante as ações, os agentes apreenderam dinheiro em espécie, relógios de luxo, uma pistola calibre 9 milímetros, munições e diversos equipamentos eletrônicos, como notebooks, celulares, tablets e pen drives.
A Justiça Federal também determinou o bloqueio e o sequestro de bens, veículos e ativos financeiros até o limite de R$ 47 milhões, como forma de enfraquecer a estrutura financeira da organização criminosa.
Segundo a investigação, o grupo utilizava empresas de fachada e estruturas empresariais complexas para esconder a origem de recursos obtidos de forma ilícita.
De acordo com a Polícia Federal, funcionários recrutados em instituições financeiras teriam inserido dados falsos em sistemas bancários, permitindo saques e transferências indevidas.
Depois disso, os valores eram convertidos em bens de luxo e criptoativos, numa tentativa de dificultar o rastreamento do dinheiro.
Entre os principais investigados está Thiago Branco de Azevedo, conhecido como “Ralado”, apontado como administrador de diversos CNPJs e considerado o principal alvo da operação. Segundo a PF, ele está foragido.
Procurada, a Fictor afirmou que seu CEO foi alvo apenas de mandado de busca e apreensão e que o celular dele foi recolhido pelas autoridades.
Em nota, a empresa disse que prestará esclarecimentos após ter acesso ao conteúdo da investigação.
Já a defesa de Luiz Phillippe Rubini, que deixou a empresa em outubro do ano passado, afirmou que não teve acesso prévio ao processo e que se manifestará oportunamente.
A Polícia Federal investiga o caso desde 2024, após identificar indícios de um esquema estruturado para obtenção de vantagens ilícitas.
Os investigados poderão responder por organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva e crimes contra o sistema financeiro nacional.
Somadas, as penas previstas para esses crimes podem ultrapassar 50 anos de prisão.