
As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a intensificação da guerra contra o Irã provocaram forte reação nos mercados internacionais. Após o discurso feito na noite de quarta-feira (1º), Bolsas ao redor do mundo registraram queda, enquanto o preço do petróleo disparou, com alta próxima de 7% nesta quinta-feira (2).
Investidores esperavam sinais de um possível cessar-fogo ou solução diplomática, mas Trump afirmou que os ataques contra o Irã serão intensificados nas próximas semanas.
“Vamos atingi-los com muita força nas próximas duas ou três semanas. Vamos levá-los de volta à Idade da Pedra, que é o lugar deles”, declarou o presidente americano em discurso no horário nobre.
Trump também sugeriu que a guerra pode se ampliar caso os líderes iranianos não aceitem as condições impostas pelos Estados Unidos durante as negociações.
A reação dos mercados foi imediata. Os preços do petróleo subiram mais de 6%, interrompendo uma queda anterior de mais de US$ 1.
Analistas afirmam que os investidores reagiram à ausência de qualquer sinal de trégua ou negociação diplomática.
Segundo Priyanka Sachdeva, analista sênior de mercado da Phillip Nova, os mercados interpretaram o discurso como sinal de aumento das tensões.
“Sem qualquer menção clara ao cessar-fogo ou ao engajamento diplomático, os mercados passam a considerar o risco de novas interrupções no fornecimento de petróleo”, afirmou.
O economista-chefe da Rystad Energy, Claudio Galimberti, também destacou que a falta de um plano de saída para o conflito mantém a instabilidade.
Já Russel Chesler, diretor de investimentos da VanEck Australia, afirmou que o discurso não trouxe confiança aos investidores.
“A principal pergunta na mente de todos os investidores é: quando isso vai acabar?”, disse.
O impacto também foi sentido nos mercados acionários globais.
Entre as principais quedas registradas nesta quinta-feira estão:
Por volta das 14h (horário de Brasília), o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caía 0,13%, enquanto o NYSE Composite, em Nova York, registrava queda de 0,12%.
A guerra continua se intensificando na região. Na quarta-feira, um petroleiro alugado pela QatarEnergy foi atingido por um míssil de cruzeiro iraniano em águas do Catar, segundo o Ministério da Defesa do país.
Autoridades também alertaram para crescentes ameaças ao tráfego marítimo, fator considerado crucial para o abastecimento global de energia.
O chefe da Agência Internacional de Energia advertiu que interrupções no fornecimento podem começar a impactar a economia da Europa já em abril, após o fim das cargas contratadas antes do início do conflito.
No mesmo dia, o Ministério da Defesa da Arábia Saudita informou que interceptou quatro drones, enquanto Abu Dhabi afirmou ter interceptado um míssil próximo a uma zona econômica, causando apenas pequenos danos.
A embaixada dos Estados Unidos em Bagdá também recomendou que cidadãos americanos deixem o Iraque, diante de alertas sobre possíveis ataques de milícias aliadas ao Irã nas próximas 24 a 48 horas.
Após o discurso de Trump, as forças armadas iranianas responderam com novas ameaças.
O porta-voz militar Ebrahim Zolfaqari, da sede central Khatam al-Anbiya, afirmou que os ataques continuarão até o “arrependimento e rendição permanentes” dos inimigos de Teerã.

Paralelamente ao conflito, parlamentares democratas dos Estados Unidos abriram investigações sobre o secretário de Defesa, Pete Hegseth, para apurar se ele tentou investir em empresas do setor militar antes do início da guerra.
Segundo reportagem do Financial Times, o corretor de Hegseth no Morgan Stanley procurou a gestora BlackRock em fevereiro para discutir a aplicação em um fundo ligado à indústria de defesa.
O contato teria ocorrido antes do início do conflito, o que levantou suspeitas de possível conflito de interesse.
O Pentágono negou as acusações, afirmando que a informação é “totalmente falsa e fabricada”.
De acordo com o jornal, o investimento não chegou a ser realizado porque o fundo não estava disponível para clientes do banco.
Mesmo assim, especialistas afirmam que o episódio pode levantar questionamentos éticos, já que regras federais dos EUA proíbem autoridades de manter interesses financeiros que possam interferir em suas funções públicas.