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Discurso de Trump sobre Irã derruba Bolsas e eleva petróleo

Mercados globais reagiram após presidente dos EUA prometer intensificar ataques e não apresentar cronograma para o fim do conflito

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
02/04/2026 às 15h19
Discurso de Trump sobre Irã derruba Bolsas e eleva petróleo
Foto: Reprodução

As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a intensificação da guerra contra o Irã provocaram forte reação nos mercados internacionais. Após o discurso feito na noite de quarta-feira (1º), Bolsas ao redor do mundo registraram queda, enquanto o preço do petróleo disparou, com alta próxima de 7% nesta quinta-feira (2).

Investidores esperavam sinais de um possível cessar-fogo ou solução diplomática, mas Trump afirmou que os ataques contra o Irã serão intensificados nas próximas semanas.

Vamos atingi-los com muita força nas próximas duas ou três semanas. Vamos levá-los de volta à Idade da Pedra, que é o lugar deles”, declarou o presidente americano em discurso no horário nobre.

Trump também sugeriu que a guerra pode se ampliar caso os líderes iranianos não aceitem as condições impostas pelos Estados Unidos durante as negociações.

Petróleo dispara com temor de crise energética

A reação dos mercados foi imediata. Os preços do petróleo subiram mais de 6%, interrompendo uma queda anterior de mais de US$ 1.

  • O petróleo Brent, referência internacional, subia US$ 6,84, ou 6,8%, chegando a US$ 108 por barril. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI) avançava US$ 6,40, ou 6,4%, atingindo US$ 106,52 por barril.

Analistas afirmam que os investidores reagiram à ausência de qualquer sinal de trégua ou negociação diplomática.

Segundo Priyanka Sachdeva, analista sênior de mercado da Phillip Nova, os mercados interpretaram o discurso como sinal de aumento das tensões.

Sem qualquer menção clara ao cessar-fogo ou ao engajamento diplomático, os mercados passam a considerar o risco de novas interrupções no fornecimento de petróleo”, afirmou.

O economista-chefe da Rystad Energy, Claudio Galimberti, também destacou que a falta de um plano de saída para o conflito mantém a instabilidade.

Russel Chesler, diretor de investimentos da VanEck Australia, afirmou que o discurso não trouxe confiança aos investidores.

“A principal pergunta na mente de todos os investidores é: quando isso vai acabar?”, disse.

Bolsas internacionais registram queda

O impacto também foi sentido nos mercados acionários globais.

Entre as principais quedas registradas nesta quinta-feira estão:

  • Seul: -4,47%
  • Tóquio: -2,28%
  • Taiwan: -1,82%
  • Sydney: -1,06%
  • Xangai: entre -0,74% e -1,04%
  • Hong Kong: -0,7%
  • Frankfurt: -0,56%
  • Paris: -0,24%

Por volta das 14h (horário de Brasília), o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caía 0,13%, enquanto o NYSE Composite, em Nova York, registrava queda de 0,12%.

Escalada militar aumenta tensão no Oriente Médio

A guerra continua se intensificando na região. Na quarta-feira, um petroleiro alugado pela QatarEnergy foi atingido por um míssil de cruzeiro iraniano em águas do Catar, segundo o Ministério da Defesa do país.

Autoridades também alertaram para crescentes ameaças ao tráfego marítimo, fator considerado crucial para o abastecimento global de energia.

O chefe da Agência Internacional de Energia advertiu que interrupções no fornecimento podem começar a impactar a economia da Europa já em abril, após o fim das cargas contratadas antes do início do conflito.

No mesmo dia, o Ministério da Defesa da Arábia Saudita informou que interceptou quatro drones, enquanto Abu Dhabi afirmou ter interceptado um míssil próximo a uma zona econômica, causando apenas pequenos danos.

A embaixada dos Estados Unidos em Bagdá também recomendou que cidadãos americanos deixem o Iraque, diante de alertas sobre possíveis ataques de milícias aliadas ao Irã nas próximas 24 a 48 horas.

Após o discurso de Trump, as forças armadas iranianas responderam com novas ameaças.

O porta-voz militar Ebrahim Zolfaqari, da sede central Khatam al-Anbiya, afirmou que os ataques continuarão até o “arrependimento e rendição permanentes” dos inimigos de Teerã.

Democratas investigam secretário de Defesa dos EUA

Paralelamente ao conflito, parlamentares democratas dos Estados Unidos abriram investigações sobre o secretário de Defesa, Pete Hegseth, para apurar se ele tentou investir em empresas do setor militar antes do início da guerra.

Segundo reportagem do Financial Times, o corretor de Hegseth no Morgan Stanley procurou a gestora BlackRock em fevereiro para discutir a aplicação em um fundo ligado à indústria de defesa.

O contato teria ocorrido antes do início do conflito, o que levantou suspeitas de possível conflito de interesse.

O Pentágono negou as acusações, afirmando que a informação é “totalmente falsa e fabricada”.

De acordo com o jornal, o investimento não chegou a ser realizado porque o fundo não estava disponível para clientes do banco.

Mesmo assim, especialistas afirmam que o episódio pode levantar questionamentos éticos, já que regras federais dos EUA proíbem autoridades de manter interesses financeiros que possam interferir em suas funções públicas.

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