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Premiê do Reino Unido critica Trump e Putin em meio à crise energética

Keir Starmer diz estar “farto” do impacto das tensões globais nas contas de energia

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
10/04/2026 às 15h50
Premiê do Reino Unido critica Trump e Putin em meio à crise energética
Foto: Reprodução

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou nesta sexta-feira (10) que está “farto” do aumento no custo da energia provocado por decisões internacionais envolvendo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Em entrevista à emissora britânica ITN, Starmer afirmou que as ações dos dois líderes têm pressionado os preços da energia e afetado diretamente famílias e empresas no Reino Unido.

“Estou farto de ver famílias e negócios em todo o país tendo suas contas de energia subindo e descendo por causa das ações de Putin e Trump pelo mundo”, declarou.

A fala ocorre em meio ao agravamento da crise energética provocada pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, o custo médio de energia para consumidores britânicos já subiu cerca de 10%, e projeções indicam que o aumento pode chegar a 40%, especialmente devido à escassez de gás.

Crise diplomática 

Após a repercussão da declaração, Starmer afirmou nesta sexta-feira que conversou com Trump sobre a crise envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.

O premiê disse que, durante a conversa, foram discutidas possíveis “opções militares” caso as negociações com o Irã não avancem. A declaração ocorreu durante visita oficial ao Catar, onde ele tratava da crise regional.

O tema ganhou relevância após o Irã praticamente fechar o estreito desde o início da guerra, provocando tensão nos mercados de energia.

A relação entre Washington e aliados europeus tem sido marcada por divergências. No início do conflito, os Estados Unidos não consultaram países da OTAN antes dos ataques ao Irã, o que gerou críticas entre governos europeus.

Além disso, o governo britânico inicialmente não autorizou o uso de suas bases militares para operações americanas, liberando posteriormente o emprego de instalações como a base aérea de Fairford apenas para ações consideradas defensivas.

Outros países europeus adotaram posições ainda mais restritivas. A Espanha proibiu o uso de suas bases e do espaço aéreo para operações militares dos EUA, enquanto França e Alemanha também manifestaram críticas à guerra.

Petróleo

Apesar de um cessar-fogo temporário anunciado por Trump na terça-feira (7), a situação permanece instável. O preço do barril de petróleo Brent chegou a cair de US$ 110 para cerca de US$ 100 nos contratos futuros, mas o valor para compra imediata ainda permanece elevado, chegando a US$ 145.

  • Enquanto isso, Trump afirmou nesta sexta-feira que navios de guerra americanos estão sendo preparados para uma possível escalada militar caso as negociações com o Irã fracassem.

“Se não chegarmos a um acordo, vamos usar essas armas, e vamos usá-las com muita eficácia”, declarou o presidente americano.

As negociações entre os dois países devem ocorrer neste sábado (11), no Paquistão, com a participação do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance.

A continuidade dos ataques de Israel contra o grupo Hezbollah no Líbano também ameaça as negociações, aumentando a tensão em todo o Oriente Médio.

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