
O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou nesta segunda-feira (6) que “assassinatos e crimes” não irão parar as Forças Armadas iranianas. A declaração foi publicada em uma mensagem no Telegram, após a confirmação da morte do general Majid Khademi, chefe de Inteligência da Guarda Revolucionária, em um ataque atribuído a Israel.
Na publicação, Khamenei classificou a ação como “terrorismo” e afirmou que os ataques contra autoridades militares não enfraquecerão o país.
“O inimigo americano-sionista recorreu mais uma vez à sua arma habitual: o terrorismo. Contudo, a firme fileira dos combatentes e defensores da verdade tornou-se tão sólida que nem o terror nem o crime podem abalar”, afirmou.
Israel anunciou a morte do militar após um bombardeio realizado em Teerã, reforçando a estratégia de atingir lideranças do aparato militar iraniano.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também voltou a elevar o tom contra o Irã. Durante um evento de Páscoa na Casa Branca, Trump se referiu aos iranianos como “animais” ao ser questionado se atacar estruturas civis poderia configurar crime de guerra.
“Não, porque eles são animais”, afirmou o presidente americano.
Trump também declarou que não está preocupado com alertas sobre possíveis violações do direito internacional caso ataques atinjam infraestrutura civil iraniana.
O presidente voltou ainda a afirmar que gostaria de “ficar com o petróleo do Irã”, embora tenha reconhecido que a população americana deseja o fim da guerra.
O Irã também havia rejeitado anteriormente a proposta, segundo a agência estatal Irna, argumentando que prefere negociar um acordo definitivo para encerrar a guerra, e não apenas uma trégua temporária.
No domingo (5), Trump afirmou em uma postagem nas redes sociais que poderá ordenar ataques contra infraestrutura civil do Irã caso o país não reabra completamente o Estreito de Ormuz até terça-feira (7).
O presidente americano utilizou termos ofensivos ao se referir ao governo iraniano e ameaçou atingir pontes, usinas de energia e outras estruturas estratégicas.
A tensão também se intensificou no campo militar. Na noite de domingo (5), Israel enfrentou um dos ataques mais intensos desde o início do conflito, com disparos massivos de mísseis e foguetes iranianos e do grupo Hezbollah.
A cidade portuária de Haifa, no norte de Israel, foi uma das mais atingidas. Um prédio residencial de sete andares foi destruído, deixando quatro mortos.
Cerca de 20 locais foram atingidos em diferentes regiões do país, principalmente na área de Tel Aviv, em ataques que utilizaram mísseis equipados com submunições, elevando o nível de violência no conflito.
Os ataques também atingiram países vizinhos. O Irã lançou ofensivas contra Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Kuwait, causando danos a instalações energéticas e a um complexo ministerial.
No Líbano, ataques israelenses deixaram quatro mortos e 39 feridos no sul de Beirute, segundo o Ministério da Saúde do país. Outro bombardeio matou três pessoas na região leste da capital.
Na localidade de Kfar Hatta, sete civis — seis da mesma família — morreram após um ataque aéreo pela manhã.
O chefe do Estado-Maior de Israel, Eyal Zamir, afirmou que as operações contra o Hezbollah devem ser intensificadas.
A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul) manifestou preocupação com os ataques realizados por Israel e pelo Hezbollah nas proximidades de suas posições.
Em comunicado, a missão da ONU afirmou estar “extremamente preocupada” com as ações militares e alertou que os confrontos podem provocar novas escaladas no conflito.
A organização pediu que as duas partes interrompam os ataques e avancem em negociações para um cessar-fogo na região.