
Um ataque com drones lançado pela Rússia contra a cidade portuária de Odessa, no sul da Ucrânia, deixou duas mulheres e uma criança de dois anos mortas na madrugada desta segunda-feira (6), segundo autoridades locais. O bombardeio atingiu áreas residenciais e provocou destruição em diferentes pontos da cidade.
Equipes de resgate trabalharam durante a madrugada utilizando holofotes e conseguiram retirar quatro pessoas com vida dos escombros. Ao todo, 16 pessoas ficaram feridas, sendo 11 hospitalizadas, entre elas uma mulher grávida e duas crianças, incluindo um bebê com menos de um ano de idade.

Segundo o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, os ataques russos atingiram prédios residenciais, um jardim de infância e uma subestação de energia elétrica, provocando cortes no fornecimento de eletricidade.
“Milhares de famílias ficaram sem energia”, afirmou Zelensky em publicação nas redes sociais.
De acordo com o presidente ucraniano, a Rússia lançou mais de 140 drones de ataque durante a noite, sendo quase 80 do modelo Shahed, drones de origem iraniana frequentemente utilizados por Moscou no conflito.
Zelensky também afirmou que, apenas na última semana, a Ucrânia enfrentou mais de 2.800 drones de ataque, além de cerca de 1.350 bombas aéreas guiadas e mais de 40 mísseis de diferentes tipos.
As vítimas sofreram concussões, traumatismo craniano e ferimentos causados por estilhaços após explosões na região.
Imagens divulgadas pelas autoridades locais mostram um homem chorando sobre o corpo da própria mãe, vítima do ataque. Em determinado momento, um soldado se aproxima para retirá-lo do local e prestar apoio.
Em Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, três pessoas ficaram feridas após novos ataques de drones.
Já na cidade de Nikopol, sete pessoas foram atingidas, incluindo um homem de 62 anos que permanece em estado crítico.
Instalações de energia foram danificadas nas regiões de Chernihiv, Sumy, Kharkiv e Dnipro, deixando milhares de pessoas sem eletricidade.
Desde o início da guerra, ataques contra a rede energética têm sido uma das principais estratégias da Rússia para pressionar o governo ucraniano.
Durante a mesma madrugada, a Ucrânia realizou ataques com drones contra alvos na Rússia.
O Ministério da Defesa russo afirmou que suas defesas aéreas abateram cerca de 50 drones ucranianos, mas alguns deles atingiram o terminal do Consórcio do Oleoduto do Cáspio, localizado no Mar Negro.
O local é responsável por cerca de 1,5% do fornecimento global de petróleo e sofreu danos na infraestrutura de carregamento e em quatro grandes tanques de armazenamento.
Segundo o governo russo, o ataque teria sido direcionado para provocar prejuízos econômicos aos principais acionistas do consórcio, que incluem empresas de energia dos Estados Unidos e do Cazaquistão.
As Forças Armadas da Ucrânia também afirmaram ter atingido o terminal petrolífero de Sheskharis, no porto de Novorossiysk, um dos principais centros de exportação de petróleo da Rússia.
Segundo militares ucranianos, seis dos sete pontos de carregamento de petroleiros foram danificados, além do centro de distribuição e da estação de medição do sistema de oleodutos.
De acordo com o governador da região russa de Krasnodar, Veniamin Kondratyev, o ataque deixou oito pessoas feridas, incluindo duas crianças, e danificou seis prédios de apartamentos e duas casas.
No dia anterior, a Ucrânia já havia atacado outro porto estratégico e uma grande refinaria russa, ampliando a pressão sobre a infraestrutura energética do país.
Enquanto Moscou mantém ofensivas com drones e mísseis contra cidades ucranianas, Kiev amplia ataques contra infraestruturas estratégicas russas, principalmente ligadas ao setor energético.