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Irã ameaça Oriente Médio com “escuridão total” se EUA atacarem usinas

Teerã afirma que região poderá sofrer apagões em caso de ofensiva americana contra infraestrutura energética iraniana

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
07/04/2026 às 17h55
Irã ameaça Oriente Médio com “escuridão total” se EUA atacarem usinas
Foto: Reprodução

Uma autoridade do governo do Irã afirmou nesta terça-feira (7) que todo o Oriente Médio poderá enfrentar um grande apagão caso os Estados Unidos ataquem as usinas de energia iranianas. Segundo a fonte, “toda a região e a Arábia Saudita mergulharão na escuridão total” em caso de retaliação.

A declaração foi feita à agência de notícias Reuters por uma autoridade iraniana que pediu anonimato. De acordo com o relato, o governo do Catar teria transmitido na segunda-feira (6) um aviso de Teerã aos Estados Unidos e a países da região sobre possíveis represálias.

O alerta ocorre em meio à escalada das tensões no Oriente Médio e às ameaças recentes feitas pelo presidente americano Donald Trump contra o regime iraniano.

  • O governo americano estabeleceu um prazo para que o Irã aceite um acordo e reabra o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo.

Trump afirmou que o prazo termina às 20h pelo horário da costa leste dos EUA, equivalente a 21h em Brasília nesta terça-feira (7).

Caso não haja acordo, o presidente americano disse que os Estados Unidos podem iniciar ataques massivos contra infraestrutura iraniana, incluindo pontes e usinas de energia.

Em declaração feita na segunda-feira (6), Trump afirmou que existe um plano para destruir toda a rede energética iraniana.

“Quero dizer, demolição completa até meia-noite”, afirmou o presidente ao comentar a possível ofensiva militar.

Ameaças levantam debate sobre crime de guerra

Especialistas em direito internacional alertam que ataques deliberados contra infraestruturas civis essenciais, como usinas de energia ou sistemas de abastecimento de água, podem ser considerados crimes de guerra, de acordo com as regras estabelecidas pelas Convenções de Genebra.

Segundo a ex-advogada militar americana Margaret Donovan, a retórica recente do presidente dos Estados Unidos aumentou as preocupações jurídicas sobre uma eventual ofensiva.

Ela afirmou que a destruição total da infraestrutura energética de um país poderia gerar consequências humanitárias graves para a população civil.

Apesar disso, Trump afirmou que não considera as ameaças ilegais e disse que, na sua avaliação, o verdadeiro crime seria permitir que o Irã desenvolvesse armas nucleares.

Negociações seguem sem acordo

Mesmo diante das ameaças, os dois países continuam trocando mensagens por meio de intermediários internacionais.

Segundo a imprensa internacional, países como Paquistão, Egito e Turquia têm atuado como mediadores nas negociações entre Washington e Teerã.

Uma proposta recente previa um cessar-fogo de 45 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz, mas a iniciativa foi rejeitada pelas duas partes.

O Irã afirmou que não aceitará negociar enquanto os Estados Unidos mantiverem exigências consideradas como uma “rendição sob pressão”.

Segundo a mídia estatal iraniana, Teerã apresentou uma resposta com dez pontos e defendeu o fim permanente da guerra dentro de condições definidas pelo próprio governo iraniano.

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