
O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz permanece praticamente paralisado nesta quinta-feira (9), em meio à escalada de tensões no Oriente Médio. Dados de rastreamento divulgados pela Reuters mostram que apenas seis navios passaram pela rota nas últimas 24 horas, quando o fluxo normal costuma ser de cerca de 140 embarcações por dia.
A situação ocorre após o Irã anunciar novas restrições à navegação e alertar para risco de minas navais na região, enquanto o conflito regional também se expande para o campo cibernético, com hackers ligados a Teerã divulgando dados atribuídos ao general israelense Herzi Halevi.
O bloqueio parcial do estreito já provoca impactos no transporte global de energia. Segundo a empresa de rastreamento de navios Kpler, mais de 180 petroleiros permanecem retidos no Golfo Pérsico, carregando aproximadamente 172 milhões de barris de petróleo e derivados.
O Estreito de Ormuz é considerado um dos pontos mais estratégicos do comércio internacional. Estima-se que cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo passe pela via, que conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico.
Na quarta-feira (8), a Guarda Revolucionária iraniana anunciou rotas alternativas para embarcações, orientando navios a navegar próximos à Ilha de Larak, em águas iranianas, para evitar possíveis minas navais nas rotas tradicionais.
Segundo a agência semioficial iraniana Tasnim, as embarcações devem entrar no estreito ao norte da ilha e sair ao sul, em coordenação com forças navais iranianas.
Empresas de navegação demonstram cautela diante da situação. A Mitsui O.S.K. Lines, uma das maiores companhias marítimas do Japão, afirmou que aguarda orientações do governo japonês antes de retomar operações normais na região.
“É preciso confirmar que os riscos à segurança são suficientemente baixos”, disse o CEO da empresa, Jotaro Tamura, em entrevista à Reuters.
As autoridades iranianas alertaram que há possibilidade de minas navais na região, o que aumenta o risco para embarcações que tentem atravessar o estreito sem autorização.
Minas navais são explosivos posicionados no mar que podem ser acionados por contato com o casco do navio ou por sensores que detectam alterações magnéticas, pressão da água ou ruído de motores.
Estimativas indicam que o Irã pode possuir entre 2 mil e 6 mil minas desse tipo, capazes de danificar embarcações de grande porte e interromper rotas comerciais estratégicas.
Especialistas apontam que uma única mina dificilmente afundaria um grande petroleiro, mas poderia causar danos significativos e obrigar a embarcação a interromper a viagem.

Paralelamente à tensão no mar, um grupo de hackers ligado ao governo iraniano afirmou ter invadido dispositivos e contas do ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel.
O coletivo chamado Handala divulgou fotos, documentos e vídeos que, segundo o grupo, foram extraídos de arquivos do general Herzi Halevi, que comandou o Estado-Maior israelense entre 2023 e 2025.
De acordo com os hackers, mais de 19 mil imagens e vídeos confidenciais teriam sido obtidos, incluindo registros de reuniões militares, visitas a bases e detalhes de centros de comando.
Entre os materiais publicados estão:
Uma fonte israelense confirmou à imprensa internacional que o material divulgado é autêntico, embora o representante do general não tenha comentado o caso.
O grupo Handala afirma ter como alvo outras autoridades israelenses com acesso a informações sensíveis, incluindo:
Segundo o grupo, o objetivo é expor documentos e informações consideradas estratégicas.
O coletivo também afirmou ter invadido recentemente contas do diretor do FBI, Kash Patel.
Analistas avaliam que os ataques cibernéticos indicam que o conflito envolvendo Irã, Israel e seus aliados já se estende além do campo militar e energético, atingindo também o ambiente digital e de inteligência.