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Irã executa presos políticos durante a guerra

Regime executa presos políticos enquanto conflito com EUA e Israel amplia crise regional

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
10/04/2026 às 15h43
Irã executa presos políticos durante a guerra
Foto: Reprodução

O governo do Irã intensificou nas últimas semanas a execução de presos políticos enquanto o país enfrenta uma guerra com Estados Unidos e Israel. Desde o início do conflito, no fim de fevereiro, ao menos 14 detidos foram executados, segundo organizações de direitos humanos.

Entre os casos está o de Kouroush Keyvani, cidadão com dupla nacionalidade iraniana e sueca executado em 18 de março, acusado de espionagem para Israel. Ele havia sido preso após ser suspeito de fotografar áreas consideradas sensíveis durante confrontos anteriores entre os dois países.

Protestos e acusações de espionagem ampliam repressão

Nos dias seguintes à execução de Keyvani, três jovens foram mortos por enforcamento após participarem dos protestos nacionais registrados em janeiro. Foi a primeira execução ligada diretamente às manifestações populares que terminaram com forte repressão das autoridades iranianas.

Outros detidos foram executados sob acusações de rebelião e ligação com o grupo oposicionista Mujahedin do Povo do Irã (MEK), organização proibida no país.

Segundo a especialistas, cerca de 20 presos políticos ainda correm risco iminente de execução.

Muitos dos detidos enfrentam julgamentos sem transparência e que alguns teriam sido forçados a confessar crimes sob tortura, enfrentando acusações vagas como “guerra contra Deus”, rebelião ou corrupção.

  • Organizações de direitos humanos apontam que o Irã é atualmente o segundo país que mais executa pessoas no mundo, atrás apenas da China. Dados da organização Iran Human Rights indicam que cerca de 1.500 pessoas foram executadas no país no último ano.

Conflito no Oriente Médio amplia instabilidade regional

A escalada de execuções ocorre enquanto a guerra no Oriente Médio continua gerando tensão. O conflito começou em 28 de fevereiro, quando forças dos Estados Unidos e de Israel realizaram ataques contra alvos iranianos em Teerã.

Em resposta, o Irã lançou ataques contra interesses americanos e israelenses em vários países da região, incluindo Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã.

O conflito também se expandiu para o Líbano, onde o grupo armado Hezbollah lançou ataques contra Israel após a morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei.

Israel respondeu com ofensivas aéreas contra posições do grupo no território libanês, deixando centenas de mortos, segundo autoridades locais.

Enquanto a guerra continua, organizações de direitos humanos alertam que o regime iraniano pode intensificar ainda mais o uso da pena de morte como instrumento de intimidação política dentro do país.

Primeiro-ministro do Líbano deve viajar aos EUA

Em meio à escalada de tensão, o primeiro-ministro libanês Nawaf Salam deve viajar a Washington nos próximos dias para discutir a situação regional com autoridades americanas.

A visita ocorre após Israel defender negociações diretas com o Líbano para tratar da segurança na fronteira e da presença do Hezbollah no país.

Especialistas em direitos humanos alertam que, paralelamente ao conflito militar, o regime iraniano pode intensificar ainda mais o uso da pena de morte como instrumento de repressão política, enquanto a atenção internacional permanece voltada para os desdobramentos da guerra no Oriente Médio.

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