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Delegado que atuou contra advogada após post nas redes é transferido

Caso gerou reação da OAB e levou à criação de nova regra para evitar conflitos de interesse

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
23/04/2026 às 18h00
Delegado que atuou contra advogada após post nas redes é transferido
Foto: Reprodução

O delegado Christian Zilmon Mata dos Santos foi transferido de Cocalzinho de Goiás para Águas Lindas de Goiás após a repercussão da prisão da advogada Áricka Rosalia Alves Cunha.

A decisão foi publicada na quarta-feira (22) e assinada pelo delegado-geral da Polícia Civil de Goiás, André Gustavo Corteze Ganga.

Caso teve repercussão e motivou afastamento

A transferência ocorre após pedido da OAB-GO e decisão do Conselho Superior da Polícia Civil, que determinou o afastamento imediato do delegado das funções na cidade.

A prisão da advogada aconteceu no dia 15, após ela publicar nas redes sociais críticas ao arquivamento de um boletim de ocorrência por difamação.

Áricka foi detida dentro do próprio escritório e liberada após pagamento de fiança de R$ 10 mil.

A OAB classificou a ação como arbitrária e apontou possível violação das prerrogativas da advocacia, incluindo a inviolabilidade do escritório profissional.

Antes da transferência, uma decisão liminar do Tribunal de Justiça de Goiás já havia proibido o delegado de atuar em qualquer procedimento envolvendo a advogada.

O juiz Samuel João Martins destacou que a autoridade policial não pode conduzir casos em que tenha interesse direto, para evitar comprometimento da imparcialidade.

Segundo a decisão, a atuação em causa própria pode “contaminar” o procedimento com questões subjetivas.

Nova portaria reforça imparcialidade

Após o caso, a Polícia Civil de Goiás publicou a Portaria nº 323/2026, que proíbe delegados de atuarem em investigações nas quais tenham envolvimento pessoal.

A norma determina que, em situações desse tipo, o delegado deve se declarar suspeito e encaminhar o caso a um superior.

  • O delegado afirmou que a prisão ocorreu por desacato, difamação e desobediência, e que a advogada foi detida na condição de cidadã, não no exercício da profissão.

Já a defesa e a OAB-GO sustentam que houve abuso de autoridade e violação de direitos, além de questionarem suposto monitoramento por drone — o que foi negado pelo delegado.

O caso gerou forte repercussão jurídica e institucional em Goiás e levou à abertura de procedimentos na Corregedoria da Polícia Civil e no Ministério Público.

A OAB informou que segue acompanhando o caso e adotando medidas para garantir as prerrogativas da advocacia e a regularidade dos atos praticados.

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