
A Estrela entrou com pedido de recuperação judicial nesta quarta-feira (20), alegando dificuldades financeiras provocadas pelos juros elevados, crédito mais restrito e mudanças no comportamento do consumidor infantil.
Segundo a companhia, o avanço dos jogos digitais, redes sociais e plataformas online impactou diretamente o mercado tradicional de brinquedos.
Em comunicado ao mercado, a empresa afirmou que manterá normalmente as operações industriais, comerciais e administrativas durante o processo.
Após o anúncio, as ações da empresa fecharam em queda de 33%, cotadas a R$ 3.
Durante o pregão, os papéis chegaram a entrar em leilão — mecanismo usado pela bolsa quando há forte volatilidade nas negociações.
A Estrela é responsável por brinquedos que marcaram gerações, como:
Banco Imobiliário;
Autorama;
Genius;
Falcon;
Susi;
Ferrorama;
Comandos em Ação.
Nos últimos anos, a fabricante tentou modernizar produtos clássicos e ampliar o foco em licenças, colecionáveis e influenciadores digitais, mas enfrentou dificuldades para competir com importados baratos e o entretenimento digital.
A recuperação judicial é um mecanismo usado para tentar evitar a falência e permitir a renegociação de dívidas.
Se o pedido for aceito pela Justiça, a empresa ganha proteção contra cobranças e execuções judiciais por 180 dias — período chamado de “stay period”.
Nesse intervalo, a companhia tenta negociar um plano de pagamento com credores enquanto mantém as atividades funcionando.
O pedido da Estrela acontece em meio ao aumento de recuperações judiciais no Brasil.
Empresas como o Grupo Toky e o Grupo CVLB Brasil também recorreram ao mecanismo recentemente diante da crise no varejo e do aumento do custo financeiro.