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Atlas da Violência: Goiás registra índice de violência abaixo da média nacional

Com taxa menor que o patamar do país, estado se distancia do cenário crítico do Norte e Nordeste, mas qualidade dos dados ainda desafia o setor

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
26/05/2026 às 15h45
Atlas da Violência: Goiás registra índice de violência abaixo da média nacional
Foto: Reprodução

Goiás fechou o ano de 2024 com um índice de criminalidade abaixo da média nacional, registrando 18,4 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes. O dado faz parte do Atlas da Violência 2026, documento divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O desempenho goiano ganha relevância diante do panorama do país, que registrou uma taxa geral de 20,1 homicídios, acumulando 42.590 mortes oficiais e consolidando uma queda de 7,4% no território brasileiro em comparação com o período anterior.

O cenário nacional mostra uma polarização geográfica acentuada: o Amapá lidera a letalidade com 45,7 ocorrências por 100 mil moradores — o dobro do índice do país —, enquanto São Paulo apresenta a menor proporção, com 6,6 mortes. Ao lado de estados vizinhos da região Centro-Oeste e do Sul, Goiás se mantém em um patamar intermediário.

De acordo com os pesquisadores, a desaceleração geral dos crimes nos últimos anos está fortemente atrelada a uma acomodação econômica no mercado do narcotráfico, após o encerramento dos confrontos intensos entre grandes facções que desenharam o panorama de 2016 e 2017. Mudanças demográficas e o foco em novas diretrizes locais de gestão de policiamento também contribuíram para blindar estados como Goiás de picos severos de letalidade.

A Linha de Frente da Violência

Dezoito unidades da federação operam hoje com índices acima do patamar nacional. Logo atrás do Amapá, os cenários mais críticos estão concentrados no Nordeste, com Bahia (40,9), Pernambuco (37,3), Alagoas (35,9) e Ceará (34,3) completando o grupo dos cinco estados mais perigosos.

Há, contudo, um alerta importante feito pelos pesquisadores: a conta real pode ser consideravelmente maior devido ao avanço das chamadas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI). Quando faltam dados nos boletins estaduais para cravar se um óbito foi acidente, suicídio ou assassinato, a ocorrência entra nessa espécie de "limbo" institucional.

Ao projetar e incluir esses prováveis homicídios ocultos nos cálculos, o Ipea estima que o volume verdadeiro de assassinatos em 2024 pode ter saltado para 49.673 casos. Sob este viés analítico, a taxa nacional subiria para 23,4 mortes por 100 mil cidadãos. Isso indicaria uma estabilidade incômoda na segurança pública, com um recuo tímido de apenas 0,4% frente ao ano anterior, desafiando gestores públicos a aprimorarem a qualidade das notificações policiais no país.

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