
A Polícia Civil de Goiás deflagrou, na manhã desta terça-feira, a Operação Cultura Em(Cena), que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos na Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia durante a gestão do ex-prefeito Rogério Cruz. Segundo as investigações, contratos sem licitação teriam movimentado mais de R$ 1,5 milhão ao longo de 2024.
A ação foi coordenada pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor) e cumpriu três mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão em Goiânia e Aparecida de Goiânia. Entre os alvos está o vereador em exercício Zander Fábio, que comandou a pasta da Cultura entre 2021 e 2024.
Segundo a polícia, empresários e agentes públicos teriam criado empresas de fachada para receber recursos públicos destinados à realização de eventos culturais, incluindo exposições de carros antigos promovidas por um clube da capital. As investigações apontam que as empresas não possuíam estrutura operacional, funcionários ou histórico de atuação.
De acordo com a Polícia Civil, parte do dinheiro retornava aos envolvidos por meio de movimentações consideradas irregulares e pagamento de despesas pessoais. Os investigadores afirmam que os contratos serviam como justificativa para desviar recursos públicos destinados a ações culturais.
Em entrevista à TV Anhanguera, o delegado Bruno Barros afirmou que algumas transferências apresentavam o mesmo valor e eram realizadas em sequência, muitas vezes no mesmo dia. Segundo a investigação, seis parcelas de R$ 54 mil foram enviadas a uma das empresas suspeitas em agosto de 2024.
Além de Zander Fábio, também foram presos temporariamente Welton da Silva Nogueira e Jean Jesus Magno Lima e Silva. O escritório político do ex-vereador e pré-candidato a deputado estadual Leandro Sena também foi alvo de buscas.
Os investigados podem responder por associação criminosa, corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. A Justiça também autorizou quebra de sigilos bancário e fiscal, além da proibição de contratação com o poder público.
A defesa de Zander afirmou que o vereador “jamais participou de qualquer esquema de desvio de recursos públicos” e declarou que recebeu a prisão com surpresa. O ex-prefeito Rogério Cruz informou, em nota, que não é investigado na operação e disse confiar no trabalho das autoridades para esclarecimento dos fatos.
A Câmara Municipal de Goiânia afirmou que acompanha a apuração e destacou que o Legislativo não é alvo nem parte da investigação.