
A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou nesta sexta-feira (29) que a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital deve ser tratada como uma prioridade urgente pelos governos e pelas empresas de tecnologia.
O posicionamento foi divulgado pelo alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, que criticou o funcionamento de plataformas digitais e afirmou que muitos dos riscos enfrentados por menores estão ligados ao próprio modelo de negócios das empresas.
Segundo Türk, mecanismos como rolagem infinita de conteúdo, reprodução automática de vídeos e notificações constantes incentivam o uso excessivo das plataformas e aumentam a exposição de crianças e adolescentes a conteúdos nocivos.
Para a ONU, os abusos online não são apenas resultado do comportamento dos usuários, mas também de decisões de design adotadas pelas empresas para ampliar o tempo de permanência nas plataformas.
“O reforço da proteção das crianças online é uma prioridade urgente, mas isso precisa ser feito da maneira correta”, afirmou o representante.
Nos últimos anos, alguns países passaram a adotar regras mais rígidas para restringir o acesso de menores às redes sociais.
A Austrália proibiu, em 2025, o uso de diversas plataformas por menores de 16 anos. Já a França aprovou no Senado uma proposta para impedir o acesso de menores de 15 anos às redes sociais.
Apesar disso, a ONU avalia que apenas estabelecer limites de idade não resolve o problema. Segundo o órgão, as restrições podem ser facilmente contornadas e até levar jovens a migrarem para plataformas menos supervisionadas e potencialmente mais perigosas.
A principal recomendação da ONU é que as empresas desenvolvam aplicativos e redes sociais já com mecanismos de proteção incorporados desde a concepção dos produtos.
A organização defende que a responsabilidade pela segurança digital não seja transferida apenas para pais e responsáveis, mas compartilhada com as plataformas que operam esses serviços.
O escritório de Direitos Humanos da ONU publicou um conjunto de dez diretrizes voltadas à proteção de crianças e adolescentes na internet.
Entre as recomendações estão a ativação automática de configurações máximas de privacidade para menores de idade e a proibição da microsegmentação comercial baseada em dados e comportamentos digitais de crianças.
Segundo a ONU, o objetivo é reduzir riscos relacionados à exposição excessiva, ao assédio online, à coleta de dados pessoais e à influência de algoritmos sobre o comportamento de usuários mais jovens.
A organização afirma que o debate sobre a segurança digital infantil deve avançar além das restrições de acesso e focar também na forma como as plataformas são projetadas e operadas.