
Uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) prendeu nesta terça-feira (9) três pessoas suspeitas de integrar um esquema de vazamento de informações sigilosas, extorsão e favorecimento a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os alvos estão um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-estagiário do próprio Ministério Público e um ex-policial civil já expulso da corporação.
A investigação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e teve origem a partir das apurações sobre um plano para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, responsável por investigações contra a facção criminosa.
Segundo os investigadores, o caso revelou uma possível rede de infiltração em órgãos públicos com acesso a informações estratégicas e sigilosas.
De acordo com o Ministério Público, imagens obtidas durante a investigação mostram Maurício reunido com um dos suspeitos apontados como responsável por executar o atentado contra o promotor Amauri Silveira Filho. O encontro teria ocorrido cerca de uma semana antes da Operação Pronta Resposta, que desarticulou o plano criminoso em 2025.
Os promotores agora tentam identificar quais informações teriam sido repassadas ao grupo investigado.
Outro alvo preso foi Gabriel Lira de Jesus, bacharel em Direito que atuava como estagiário em uma promotoria criminal de Campinas na época dos fatos investigados.
Segundo o Ministério Público, ele teria utilizado o acesso a sistemas internos e bancos de dados da instituição para identificar pessoas investigadas com alto poder econômico. A suspeita é que, em posse dessas informações, ele cobrasse dinheiro em troca de suposta proteção contra investigações.
As suspeitas ganharam força após a análise do celular de Maurício Silveira Zambaldi, conhecido como "Dragão", apontado como um dos financiadores do plano para matar o promotor do Gaeco.
No aparelho, os investigadores encontraram mensagens em que Gabriel exigia R$ 500 mil para impedir que informações relacionadas ao empresário fossem encaminhadas ao Ministério Público.
De acordo com a apuração, o então estagiário deixou a promotoria semanas após operações envolvendo "Dragão" e passou a trabalhar em um escritório de advocacia da região de Campinas, que também foi alvo de buscas nesta terça-feira.
O terceiro preso é um ex-policial civil cujo nome não foi divulgado pelas autoridades.
Segundo o Ministério Público, ele teria atuado em conjunto com o ex-estagiário nas ações de extorsão. O investigado já havia sido preso em 2008 e posteriormente expulso da Polícia Civil após condenação por extorsão.
Na ocasião, conforme a denúncia, ele e outros agentes exigiram dinheiro para libertar uma mulher investigada por tráfico de drogas.
A Operação Infiltrados é resultado de duas grandes investigações realizadas pelo Ministério Público nos últimos anos.
A primeira delas foi a Operação Pronta Resposta, deflagrada em agosto de 2025 para desarticular uma organização criminosa ligada ao PCC que planejava o assassinato do promotor Amauri Silveira Filho.
Já a Operação Off White, realizada em outubro do mesmo ano, teve como foco um esquema de lavagem de dinheiro ligado a grandes traficantes, incluindo Sérgio Luiz de Freitas, conhecido como "Mijão" ou "Xixi", apontado como um dos principais líderes do PCC em liberdade.
Além das três prisões temporárias, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior paulista. Um policial penal também é investigado e teve endereços alvo de buscas.
As imagens foram obtidas pelo Ministério Público e reforçam a suspeita de que informações sigilosas possam ter sido compartilhadas com integrantes da organização criminosa.
O material segue sendo analisado pelos investigadores, que buscam identificar a extensão da atuação dos suspeitos e eventuais outros envolvidos no esquema.