
A chegada das seleções para a Copa do Mundo já começou a evidenciar diferenças marcantes entre os países-sede. Nos Estados Unidos, delegações têm enfrentado revistas rigorosas, interrogatórios e até negativas de entrada. Já no México, equipes vêm sendo recebidas com festas, música e manifestações de apoio dos torcedores.
O caso que mais repercutiu aconteceu com a seleção de Senegal. Ao desembarcar em Raleigh, na Carolina do Norte, na segunda-feira (8), jogadores e integrantes da delegação foram submetidos a inspeções individuais com detectores de metal e revista de bagagens ainda na pista do aeroporto.
As imagens viralizaram nas redes sociais e geraram críticas. Horas depois, a Federação Senegalesa de Futebol informou que o procedimento ocorreu antes do embarque para agilizar a entrada da equipe no país e evitar a passagem pelos controles tradicionais dos terminais aeroportuários.
Senegal não foi o único caso registrado até o momento. A seleção da Bélgica também passou por inspeções detalhadas na chegada a Chicago, incluindo revistas com detectores de metal até nas solas dos calçados dos atletas.
Já a delegação do Uzbequistão relatou ter enfrentado longas horas de espera após desembarcar nos Estados Unidos. Segundo integrantes da equipe, todas as bagagens foram vistoriadas por agentes acompanhados de cães farejadores.
O técnico da seleção uzbeque, o ex-jogador italiano Fabio Cannavaro, criticou o procedimento e afirmou que nunca havia passado por situação semelhante em sua carreira.
Outro episódio chamou atenção durante os preparativos para o torneio. O árbitro somaliano Omar Artan, escalado para trabalhar na Copa do Mundo, teve a entrada nos Estados Unidos negada após horas de interrogatório.
Segundo a Federação de Futebol da Somália, o árbitro possuía visto válido e seria o primeiro representante do país a atuar em uma Copa do Mundo.
O governo norte-americano não detalhou os motivos da decisão.
Os episódios acontecem em meio ao endurecimento das políticas migratórias promovidas pelo presidente Donald Trump.
Recentemente, os Estados Unidos ampliaram de 19 para 39 o número de países sujeitos a restrições de vistos e viagens. Entre as nações afetadas estão Somália, Irã, Haiti, Mali e Sudão.
Além disso, Washington passou a exigir depósitos de garantia para cidadãos de cerca de 50 países considerados de risco migratório.
Os valores variam entre US$ 5 mil, US$ 10 mil e US$ 15 mil e são reembolsáveis após o cumprimento das regras do visto. Segundo o governo americano, a medida busca evitar permanências ilegais após o encerramento da competição.
Enquanto isso, no México, a chegada das delegações tem sido marcada por um clima bem diferente.
A seleção da Espanha, por exemplo, foi recebida na cidade de Puebla com apresentações musicais, danças típicas e bandeiras dos dois países. O time desembarcou para disputar um amistoso contra o Peru antes do início da competição.
Nas redes sociais, a própria seleção espanhola agradeceu a recepção calorosa.
“Obrigado pela recepção tão especial, amigos”, publicou a equipe.
O contraste entre os dois países já começa a chamar atenção de torcedores, atletas e dirigentes, transformando a organização da Copa em mais um capítulo do debate internacional sobre imigração, segurança e relações diplomáticas.