
Uma farmacêutica foi presa em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital, suspeita de aplicar uma vacina vencida em um bebê de apenas seis meses. O caso aconteceu na terça-feira (16) e foi descoberto após o pai da criança conferir a embalagem do imunizante ao chegar em casa.
Segundo a Polícia Civil, o bebê recebeu três vacinas em uma farmácia da cidade. Duas delas eram injetáveis e uma de uso oral. Foi justamente a vacina oral que estava com a validade vencida.
Após perceber a irregularidade, o pai procurou a delegacia e denunciou o caso. A partir disso, equipes da Polícia Civil e da Vigilância Sanitária realizaram uma fiscalização no estabelecimento.
De acordo com o delegado Augusto Albernaz, a investigação identificou pelo menos três falhas no procedimento adotado pela farmácia.
A primeira delas seria a ausência de um controle eficiente para retirar medicamentos vencidos do estoque. A segunda ocorreu durante o cadastramento da vacina no sistema nacional de imunização, etapa que, segundo a farmacêutica, não foi concluída porque o sistema estava fora do ar.
A terceira falha teria acontecido no momento da aplicação, quando a embalagem do produto foi aberta sem que a data de validade fosse conferida novamente.
"A gente apurou que houve falhas sucessivas que poderiam ter evitado a aplicação do imunizante vencido", afirmou o delegado.
Durante a inspeção, a Vigilância Sanitária encontrou outras duas caixas da mesma vacina já vencidas dentro da farmácia. Segundo o órgão, os produtos estavam em uma área destinada ao descarte e não seriam utilizados.
Mesmo assim, o estabelecimento foi autuado administrativamente e recebeu multa de R$ 37 mil.
A diretora da Vigilância Sanitária de Aparecida de Goiânia, Naira Andrade, ressaltou que o cumprimento dos prazos de validade é obrigatório e fundamental para garantir a segurança dos pacientes.
"A validade existe para ser cumprida e temos que seguir a legislação", destacou.
Segundo a Polícia Civil, até a última atualização do caso, o bebê não havia apresentado sintomas ou qualquer sinal de mal-estar relacionado à aplicação da vacina vencida.
Apesar disso, as autoridades alertam que medicamentos e imunizantes fora do prazo de validade podem perder eficácia e, em alguns casos, provocar reações adversas.
A farmacêutica foi conduzida à delegacia, mas acabou liberada após o pagamento de fiança. O nome dela não foi divulgado.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para esclarecer se houve apenas uma falha operacional ou se existia conhecimento prévio sobre o vencimento do produto.
Além da esfera criminal, o caso também poderá ser analisado pelo Conselho Regional de Farmácia, que poderá abrir um procedimento ético-disciplinar para apurar a conduta profissional da farmacêutica e definir eventuais sanções.
A Vigilância Sanitária orienta que consumidores denunciem irregularidades relacionadas a medicamentos, vacinas e estabelecimentos de saúde por meio dos canais oficiais da Prefeitura de Aparecida de Goiânia.