
O inverno começa oficialmente neste domingo (21) com a chegada da primeira grande onda de frio da estação. Uma intensa massa de ar polar avança da Argentina para o Centro-Sul do Brasil a partir da próxima segunda-feira (22), provocando forte queda nas temperaturas e aumentando o risco de geadas em importantes regiões agrícolas do país.
De acordo com meteorologistas, o fenômeno deve atingir os estados do Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste, trazendo preocupação principalmente para os produtores de milho segunda safra, que possuem lavouras em fases sensíveis de desenvolvimento.
Segundo o meteorologista sênior da Ampere Consultoria, Bruno Capucin, o frio será amplo e poderá alcançar praticamente todas as principais áreas produtoras do país.
"As temperaturas vão cair de forma significativa na Região Sul, em São Paulo, Rio de Janeiro e centro-sul de Minas Gerais. O frio também deve avançar para Mato Grosso do Sul, Goiás e sul e oeste de Mato Grosso", explicou.
As geadas devem ocorrer com maior intensidade nos três estados da Região Sul, mas também há previsão para áreas de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
O principal risco está relacionado às lavouras de milho safrinha que ainda se encontram em fases de floração e enchimento de grãos, consideradas decisivas para a formação da produtividade.
Segundo a meteorologista Patrícia Cassoli, as baixas temperaturas podem provocar perdas importantes em algumas regiões.
"As condições climáticas podem afetar principalmente o milho de segunda safra, cujas lavouras se encontram em fase de floração e enchimento de grãos e podem ser impactadas pelas geadas", destacou.
Além do milho, produtores de hortaliças, frutas e outras culturas mais sensíveis ao frio também devem redobrar a atenção. Entre os principais impactos estão queimaduras nas folhas, redução do crescimento das plantas e queda na produtividade.
A massa de ar polar não ficará restrita ao Centro-Sul do país. O sistema também deve alcançar parte da Região Norte, provocando o fenômeno conhecido como friagem.
A previsão indica queda das temperaturas em estados como Acre, Rondônia e no sul do Amazonas, situação comum durante eventos de frio mais intensos vindos do sul do continente.
Enquanto o frio marca o início do inverno, meteorologistas acompanham a evolução do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico.
Os principais modelos climáticos indicam que o aquecimento das águas deve ganhar força ao longo do segundo semestre e pode se tornar um dos eventos mais intensos das últimas décadas.
Apesar disso, os efeitos sobre o clima brasileiro ainda devem ser limitados neste início de inverno.
Segundo Patrícia Cassoli, as mudanças mais significativas devem ocorrer gradualmente nos próximos meses.
"Ao longo do inverno, espera-se a intensificação do fenômeno, com possíveis impactos climáticos principalmente sobre áreas do Centro-Sul do país", afirmou.
Historicamente, períodos de El Niño costumam trazer mais chuvas para estados como Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Ao mesmo tempo, tendem a reduzir a frequência de ondas prolongadas de frio e favorecer temperaturas mais elevadas na segunda metade da estação.
Para o agronegócio, o cenário exige monitoramento constante. Enquanto as geadas representam o principal desafio neste início de inverno, o fortalecimento do El Niño pode alterar o regime de chuvas e temperaturas nos próximos meses, influenciando diretamente o planejamento da safra 2026/27 e as operações no campo.
A orientação dos especialistas é que produtores acompanhem diariamente as previsões meteorológicas para minimizar possíveis perdas e adotar medidas de proteção nas áreas mais vulneráveis.