
O mercado brasileiro de trigo segue operando em ritmo lento, com negociações pontuais e compradores adotando postura cautelosa diante das incertezas climáticas para a próxima safra.
Segundo análises do Cepea e da TF Agroeconômica, a menor oferta disponível no mercado físico tem sustentado os preços em várias regiões, mas o volume de negócios continua reduzido, especialmente nos estados do Sul.
No Rio Grande do Sul, as negociações da semana somaram cerca de 20 mil toneladas. Os preços do trigo de melhor qualidade variam entre R$ 1.430 e R$ 1.500 por tonelada, enquanto produtores demonstram preocupação com os custos elevados, os preços apertados e os riscos climáticos associados ao fortalecimento do El Niño.
A Emater-RS projeta uma produção de aproximadamente 2,2 milhões de toneladas nesta safra, bem abaixo das cerca de 4 milhões de toneladas registradas no ciclo anterior.
Em Santa Catarina, o mercado permanece resistente devido às dificuldades de comercialização da farinha. Já no Paraná, compradores priorizam contratos para os próximos meses, enquanto cooperativas e cerealistas liberam espaço para a chegada da segunda safra de milho.
Além da lentidão nos negócios, o setor acompanha com atenção a previsão de chuvas acima da média para o Sul do país. Segundo o Cepea, o excesso de umidade pode comprometer a qualidade dos grãos da safra 2026/27, especialmente durante as fases de desenvolvimento e colheita.
A preocupação tem mantido produtores e compradores mais cautelosos, contribuindo para a sustentação das cotações.
No campo, a semeadura segue avançando. Dados da Conab mostram que 59,5% da área nacional destinada ao trigo já foi plantada. Goiás praticamente concluiu os trabalhos, com 99% da área semeada, enquanto o Paraná alcançou 78%. No Sul, os trabalhos avançam de forma mais lenta, com 36% da área plantada no Rio Grande do Sul e apenas 7,3% em Santa Catarina.
O cenário para os próximos meses dependerá principalmente do comportamento do clima, fator considerado decisivo para a qualidade e o potencial produtivo da nova safra.