
O pastor e empresário Márcio Poncio foi preso na manhã desta quinta-feira (2), durante uma operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao jogo do bicho e suas conexões com agentes públicos do Rio de Janeiro. A ação faz parte da quinta fase da Operação Unha e Carne, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Além de Poncio, a operação teve como alvos o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral.
Bacellar e Adilsinho, que já estavam presos, foram alvo de novos mandados. Já Marco Antônio Cabral foi alvo de busca e apreensão. Ao todo, a PF cumpriu três mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São João de Meriti, além de determinar o bloqueio de bens e valores de até R$ 22 milhões.
Segundo a Polícia Federal, a nova fase da investigação teve origem na análise de planilhas apreendidas com Adilsinho. Os documentos conteriam registros de uma contabilidade paralela com supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações financeiras utilizadas para ocultar recursos de origem ilícita.
As anotações também indicariam possíveis repasses de dinheiro a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro, hipótese que passou a ser uma das principais linhas de investigação.
Entre os nomes citados nas planilhas está o do ex-governador Cláudio Castro (PL), que nega ter recebido qualquer valor do contraventor. Segundo a Folha de S.Paulo, os documentos também mencionam deputados estaduais e federais, mas a lista permanece sob sigilo judicial.
A Operação Unha e Carne é um desdobramento da Operação Fumus, deflagrada em 2021 para investigar o comércio ilegal de cigarros na Região Metropolitana do Rio. Inicialmente, as investigações apuravam o vazamento de informações sigilosas sobre operações contra o Comando Vermelho, mas posteriormente passaram a abranger suspeitas de lavagem de dinheiro, fraude em contratos públicos e ligação entre organizações criminosas e agentes públicos.
Márcio Poncio é pastor da Igreja da Nuvem, empresário do setor de cigarros e pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla UM44K. Conhecido como "pastor do cigarro", ele é investigado por supostas ligações com o esquema comandado por Adilsinho.
Adilsinho é apontado pelas forças de segurança como um dos principais chefes do jogo do bicho no Rio de Janeiro e responsável pelo controle da fabricação e distribuição de cigarros ilegais na Região Metropolitana. Ele foi preso em fevereiro deste ano.
Rodrigo Bacellar é investigado desde as primeiras fases da Operação Unha e Carne por suspeita de integrar uma rede responsável pelo vazamento de informações sigilosas sobre operações policiais.
Já Marco Antônio Cabral, ex-deputado federal e filho do ex-governador Sérgio Cabral, nega qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou recebimento de recursos ilícitos.
As defesas dos investigados afirmaram que as acusações serão contestadas. A defesa de Marco Antônio Cabral negou envolvimento nos fatos. A defesa de Adilsinho rejeitou a acusação de pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, enquanto a de Rodrigo Bacellar afirmou que o ex-deputado não possui qualquer vínculo com os fatos investigados. Até a publicação desta matéria, a defesa de Márcio Poncio não havia se manifestado.