
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (3) que as sanções impostas pelos Estados Unidos contra dois brasileiros investigados por ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) anteciparam a deflagração da Operação Exchange e podem ter comprometido parte dos resultados da ação.
Segundo Rodrigues, a investigação já estava em andamento antes da decisão do governo norte-americano e a representação que deu origem à operação havia sido apresentada anteriormente. No entanto, ele explicou que a divulgação das sanções alterou o cronograma da PF e obrigou a antecipação do cumprimento dos mandados.
"O anúncio dos Estados Unidos mudou a dinâmica da operação. Sem essa antecipação, poderíamos ter localizado um dos investigados que hoje está foragido", afirmou o diretor-geral, que classificou a decisão norte-americana como um "erro grotesco" e uma medida "equivocada".
A Operação Exchange foi deflagrada nesta sexta-feira para desarticular uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas por meio de criptomoedas, movimentações bancárias, transporte de dinheiro em espécie e operações financeiras de alto valor.
Ao todo, foram expedidos 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. Até o momento, sete pessoas foram presas.
A Justiça também determinou o bloqueio de bens, valores e criptoativos dos investigados, que somam R$ 10,4 bilhões. Os envolvidos poderão responder por crimes como associação criminosa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outros delitos que venham a ser identificados durante as investigações.
Entre os principais investigados estão Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, presa durante a operação, e o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, que segue foragido.
Na última quarta-feira (2), ambos foram alvo de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por suposta atuação em um esquema financeiro ligado ao PCC.
Segundo as autoridades norte-americanas, Shimada seria um elo entre integrantes da facção na Flórida e traficantes internacionais, tendo movimentado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos por meio de criptomoedas. Já Stella é apontada como responsável por prestar apoio logístico e intermediar movimentações financeiras da organização.
Em nota, a defesa de Victor Shimada informou que ainda não teve acesso às decisões judiciais e aos elementos da investigação e afirmou que só se manifestará após analisar o conteúdo dos autos.