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Mendonça diz que há uma ‘PF paralela’ durante sessão no STF

Declaração ocorreu durante manifestação de Luiz Fux sobre o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
15/09/2026 às 15h17
Mendonça diz que há uma ‘PF paralela’ durante sessão no STF
Foto: Reprodução

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (15) que existe atualmente uma “PF paralela”. A declaração ocorreu enquanto o ministro Luiz Fux comentava o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Durante a sessão, Fux defendeu que a atuação da Polícia Federal deve respeitar os limites institucionais e afirmou que um órgão não pode agir contra o Supremo.

“Tem que ter responsabilidade judicial. Não se pode admitir que fique um órgão agindo contra o Supremo Tribunal Federal. Peitando ministro do STF”, afirmou Fux.

Na sequência, Mendonça, falando fora do microfone, declarou: “Temos hoje uma PF paralela”.

Fux fala em “desvios de finalidade”

Fux também afirmou que a Segunda Turma identificou o que classificou como “uma série de desvios de finalidade” na atuação do diretor-geral da Polícia Federal.

“A Polícia Federal sempre trabalhou em prol do Poder Judiciário. O que não pode é a PF trabalhar contra o Poder Judiciário; instrumentalizar pessoas para sustentarem posições contra o Poder Judiciário”, declarou.

As afirmações refletem a avaliação dos ministros sobre a atuação da cúpula da PF e ocorrem em meio a uma disputa institucional envolvendo integrantes do Supremo e a direção da corporação.

Afastamento tem maioria na Segunda Turma

Mendonça determinou anteriormente o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da PF. A medida foi submetida ao julgamento virtual da Segunda Turma do Supremo.

A decisão já recebeu maioria de votos para ser referendada pelo colegiado, mas a conclusão do julgamento foi interrompida por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

A situação de Andrei também está sob análise do presidente do STF, Edson Fachin.

Entenda a crise

A crise se intensificou depois que Mendonça retirou o sigilo de um relatório produzido pela Polícia Federal a partir de mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro ligado ao Banco Master.

Entre os diálogos analisados havia referências ao nome “Andrei”, identificado pela própria corporação como o diretor-geral Andrei Rodrigues.

A tensão aumentou posteriormente com a divulgação de seis relatórios de inteligência produzidos pela PF durante o mês de agosto.

Os documentos continham informações e apontamentos relacionados à atuação de André Mendonça nos casos Banco Master e INSS, além de referências ao advogado-geral da União, Jorge Messias.

A existência desses documentos e as circunstâncias em que foram produzidos passaram a integrar a disputa sobre a atuação da cúpula da Polícia Federal. As acusações de irregularidade e de uma suposta atuação “paralela” da corporação representam avaliações feitas pelos ministros e seguem no centro da crise institucional.

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