
O Flamengo está entre os quatro melhores da América. Mas a classificação veio acompanhada de um sinal de alerta.
Depois de vencer o Independiente del Valle por 2 a 0 no Equador, o Rubro-Negro empatou por 1 a 1 no Maracanã e fechou as quartas de final com 3 a 1 no placar agregado. O resultado confirmou três brasileiros nas semifinais da Libertadores: Flamengo, Palmeiras e Fluminense.
A vaga veio. A atuação, porém, deixou questionamentos.
O Flamengo teve dificuldades para controlar a partida, ficou com um jogador a menos após a expulsão de Jorginho e chegou a ver o Independiente del Valle marcar novamente, em gol posteriormente anulado por impedimento. Aos 38 minutos do segundo tempo, Arrascaeta aproveitou uma falha do goleiro adversário e empatou.
Mas outra discussão ganhou força durante a noite: as condições do gramado do Maracanã.
Jogadores e integrantes da comissão técnica demonstraram insatisfação com o estado do campo.
O piso apresentava áreas danificadas, com impacto na circulação da bola, nos passes e no controle técnico. Isso não significa atribuir ao gramado toda a responsabilidade pela atuação do Flamengo, mas as condições foram apontadas como um fator que interferiu na dinâmica da partida.
E existe uma diferença importante nessa discussão.
O problema não precisa ser resumido ao velho debate entre gramado natural ou sintético.
Um campo natural em condições inadequadas também pode comprometer a execução técnica.
Um dos exemplos aconteceu quando Bruno Henrique recebeu um passe e ficou cara a cara com o goleiro.
A irregularidade do piso dificultou o domínio, obrigando o atacante a ajustar rapidamente o movimento para manter a bola sob controle.
Em um time que utiliza passes curtos, domínio orientado e circulação rápida, um quique imprevisível pode significar um toque a mais, perda de velocidade na jogada ou até mudança na maneira de construir os ataques.
Leonardo Jardim já havia criticado anteriormente as condições do gramado e voltou a abordar como esse tipo de piso pode prejudicar principalmente equipes que procuram controlar a partida através da circulação da bola.
Existe também o outro lado da discussão.
A administração do Maracanã relaciona a deterioração do gramado à combinação de chuvas, umidade, quantidade de partidas e pouco tempo disponível para recuperação.
Segundo o CEO do estádio, Fred Nantes, o Maracanã já havia recebido 58 jogos na temporada e poderia superar 70 até o fim do ano.
E a agenda continua.
No dia 27 de setembro, o estádio receberá a partida da NFL entre Baltimore Ravens e Dallas Cowboys, além de novos compromissos do futebol brasileiro posteriormente.
Para 2027, estão previstas mudanças, incluindo a adoção de uma nova espécie de gramado híbrido.
O estado do campo não é o único elemento que ajuda a contextualizar a atuação rubro-negra.
O Flamengo enfrenta uma sequência intensa envolvendo partidas decisivas, viagens, recuperação física e diferentes competições.
Essa carga acumulada pode influenciar intensidade, precisão técnica e capacidade de controlar uma partida durante os 90 minutos, embora não seja possível atribuir as dificuldades exclusivamente ao calendário sem uma análise física mais detalhada.
O mesmo vale para o gramado.
Nem o calendário nem o campo podem servir como explicação única para o desempenho.
O Flamengo também precisa analisar seus próprios problemas técnicos e táticos antes da semifinal.
Apesar das discussões, o resultado mais importante da noite permanece: o Flamengo está classificado.
E o Brasil domina novamente a reta final da Libertadores.
As semifinais serão:
Palmeiras x Fluminense
Flamengo x Estudiantes
Palmeiras e Fluminense garantem pelo menos um representante brasileiro na decisão. Caso o Flamengo elimine o Estudiantes, a Libertadores terá novamente uma final entre clubes do país.
O adversário rubro-negro chega depois de eliminar o Corinthians e será o único representante estrangeiro entre os semifinalistas. Flamengo e Estudiantes já se enfrentaram nesta edição, com vitória brasileira por 1 a 0 no Maracanã e empate por 1 a 1 na Argentina durante a fase de grupos.
O Flamengo cumpriu sua principal missão contra o Independiente del Valle.
Está na semifinal.
Mas a maneira como a classificação aconteceu deixa questões importantes antes da próxima decisão.
O time precisa recuperar jogadores, corrigir problemas apresentados no confronto e encontrar soluções caso as condições do Maracanã permaneçam semelhantes.
Porque, na semifinal, a margem para uma atuação abaixo do esperado será ainda menor.
O Brasil colocou três clubes entre os quatro melhores da América. Mas para o Flamengo chegar à decisão, classificação já não basta. Será preciso jogar mais.