
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (18) que não concorda com a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos. A declaração foi dada durante um evento sobre ações integradas de segurança pública no Rio de Janeiro.
Candidato à reeleição, Lula defendeu o combate às organizações criminosas, mas afirmou que considera inadequado enquadrar as facções como grupos terroristas.
Na sequência, Lula associou o conceito de terrorismo aos ataques de 8 de janeiro de 2023 e ao plano para matar autoridades investigado no contexto da trama golpista. A classificação dos episódios como “terrorismo” ou “terrorismo de Estado”, nesse contexto, representa a avaliação política apresentada pelo presidente.
O governo do presidente Donald Trump incluiu PCC e CV na categoria de organizações terroristas estrangeiras em 2026. A decisão representa uma mudança na abordagem americana em relação às duas facções e amplia os instrumentos de sanção disponíveis aos Estados Unidos.
Nesta semana, a administração americana também criticou a atuação brasileira no enfrentamento ao crime organizado e apontou falhas no combate às duas facções. O governo brasileiro contesta essa avaliação.
Dados recentes do Ministério da Justiça mostram que operações nacionais contra organizações criminosas continuam em andamento. Uma ação realizada entre 17 e 28 de agosto, por exemplo, resultou em 494 prisões e pedidos de bloqueio de R$ 409 milhões em bens e valores relacionados aos investigados.
No Brasil, PCC e CV permanecem juridicamente tratados como organizações criminosas. A legislação brasileira sobre terrorismo adota critérios próprios para a caracterização desse tipo de crime.
Durante o discurso, Lula também voltou a relacionar a política externa americana ao interesse em recursos naturais brasileiros.
O presidente afirmou que Trump estaria interessado em minerais críticos, terras raras e petróleo do Brasil e defendeu mais investimentos na proteção das fronteiras e na segurança nacional. A afirmação sobre as intenções do governo americano representa a interpretação apresentada por Lula.
O presidente também voltou a defender a criação de um Ministério da Segurança Pública e citou a PEC da Segurança Pública, que busca ampliar a coordenação da União no setor. Nesta sexta-feira, Lula ainda anunciou a intenção de transformar 138 presídios em unidades de segurança máxima.
A segurança pública tornou-se um dos temas da campanha presidencial, enquanto Brasil e Estados Unidos mantêm divergências sobre a classificação das facções e sobre os instrumentos utilizados no enfrentamento ao crime organizado.