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Lula diz que crise no STF vai ‘respingar’ na reta final da eleição

Presidente afirma estar preocupado com repercussão do caso Master e atribui ao governo Bolsonaro responsabilidade pela ascensão de Daniel Vorcaro

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
18/09/2026 às 16h17
Lula diz que crise no STF vai ‘respingar’ na reta final da eleição
Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (18) que a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) provocada pelos desdobramentos do caso Banco Master deve “respingar” na reta final das eleições de outubro. Candidato à reeleição, Lula disse que sua campanha pretende associar ao governo de Jair Bolsonaro (PL) a responsabilidade pela ascensão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

As declarações foram dadas durante entrevista à Rádio Tupi, no Rio de Janeiro. Lula afirmou estar preocupado com a situação no Supremo e defendeu que, depois do esclarecimento dos episódios relacionados ao Master, seja discutida uma reforma do Poder Judiciário.

Ao tratar dos possíveis efeitos eleitorais, o presidente afirmou que o caso “vai respingar na reta final” e disse que pretende responsabilizar politicamente Bolsonaro pelo episódio.

“Queremos mostrar quem é o culpado disso. Chama-se Bolsonaro”, declarou Lula. A atribuição de responsabilidade ao ex-presidente é uma afirmação política de Lula e não uma conclusão das investigações sobre o Banco Master.

Lula fala em cinco ministros ligados ao caso

Durante a entrevista, Lula afirmou que existem “cinco ministros ligados direta ou indiretamente” ao caso Master. O presidente não identificou os cinco ao fazer a declaração.

Reportagens e documentos divulgados ao longo das investigações mencionam, em situações distintas, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. As citações envolvem desde contatos e encontros atribuídos aos próprios ministros até negócios ou relações profissionais envolvendo familiares. A presença dos nomes nesses episódios, por si só, não comprova irregularidades. Os ministros e familiares citados têm apresentado contestações ou esclarecimentos sobre os casos.

Lula mencionou especificamente o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, e as relações financeiras envolvendo familiares de Dias Toffoli e estruturas ligadas ao banco.

“Quem quiser ir pra Suprema Corte não pode querer ser rico. Ali é um sacerdócio”, afirmou o presidente, ao defender padrões mais rígidos de conduta para integrantes da Corte.

Presidente critica André Mendonça

Lula também criticou André Mendonça, atual relator de investigações relacionadas ao Master. Segundo o presidente, o ministro teria mantido informações sob sigilo que agora começam a ser conhecidas por outros integrantes do Supremo e pela imprensa. A afirmação é de Lula e não representa uma conclusão institucional sobre a atuação do magistrado.

A divulgação de informações extraídas do celular de Vorcaro intensificou a crise no STF nas últimas semanas. O plenário chegou a discutir, na terça-feira (15), os próximos passos de um caso relacionado a Alexandre de Moraes, mas a análise foi interrompida após pedido de vista de Flávio Dino.

O Supremo também discute se procedimentos envolvendo Moraes e Mendonça devem ser analisados conjuntamente. A definição permanece pendente.

Origem do Master entra no discurso eleitoral

Lula afirmou ainda que o Banco Master “foi criado” durante o governo Bolsonaro e que Vorcaro “virou banqueiro” naquele período. A declaração simplifica a trajetória da instituição: o Master sucedeu o antigo Banco Máxima, que já existia antes do governo Bolsonaro. O controle da instituição passou para o grupo de Vorcaro durante aquele governo, e a marca Banco Master foi adotada posteriormente.

Ao levar essa discussão para a campanha, Lula busca atribuir politicamente à administração anterior a falta de fiscalização que, segundo ele, permitiu a expansão da instituição. Essa responsabilidade ainda é objeto de disputa política e das diferentes investigações relacionadas ao banco.

O caso Master ganhou espaço na disputa presidencial justamente enquanto o STF enfrenta divergências internas sobre a condução das apurações. Com o primeiro turno marcado para outubro, Lula reconhece agora que os desdobramentos devem permanecer no debate eleitoral.

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