
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ironizou o senador Flávio Bolsonaro (PL) durante o debate presidencial da Band, realizado neste domingo (18), ao ser questionado sobre seu desempenho eleitoral entre pessoas presas. Em resposta, Lula afirmou que gostaria de receber os votos de todos os detentos e provocou o adversário ao mencionar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A discussão começou quando Flávio acusou o governo de não conseguir conter a criminalidade e afirmou que 73% dos presidiários teriam votado em Lula.
"Você pode explicar por que 73% dos presidiários votaram em você?", questionou o senador.
O percentual foi apresentado por Flávio durante o debate, mas não foi acompanhado de dados que permitam confirmar sua origem.
Ao ouvir a pergunta, Lula afirmou que gostaria de receber o apoio de toda a população carcerária, incluindo o pai de Flávio.
"Eu quero que votem 100%, até teu pai. Até teu pai. Teu pai pode votar em mim porque ele te conhece. E ele sabe que eu sou melhor do que você", declarou o presidente.
Flávio rebateu afirmando que Jair Bolsonaro foi vítima de perseguição e questionou a possibilidade de o ex-presidente participar da votação.
O senador voltou a associar o adversário à criminalidade, citando votos de pessoas condenadas por crimes graves.
"Você foi eleito por aclamação de nossos presídios, você os representa", afirmou Flávio.
Mais tarde, o assunto voltou à discussão. Após o senador perguntar se o filho de Lula havia votado no presidente, o petista respondeu com outra provocação:
"Seu pai votou em mim."
A afirmação foi feita em tom de ironia, sem apresentação de qualquer comprovação de que Jair Bolsonaro tenha votado em Lula.
No Brasil, presos provisórios que não tiveram condenação criminal definitiva podem votar, desde que estejam com os direitos políticos preservados e cumpram as condições estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
Já pessoas condenadas criminalmente por decisão definitiva têm os direitos políticos suspensos enquanto durarem os efeitos da condenação.
Por isso, a expressão "voto dos presidiários" não inclui automaticamente todas as pessoas que estão no sistema prisional.
Além da discussão sobre os votos de detentos, Lula e Flávio Bolsonaro trocaram acusações envolvendo familiares e investigações da Polícia Federal.
Flávio questionou a relação de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, com a lobista Roberta Luchsinger, citada em apurações sobre possíveis repasses financeiros ligados ao chamado Careca do INSS.
O senador também cobrou explicações sobre a atuação da Polícia Federal em relação ao filho do presidente.
Lula respondeu que as suspeitas envolvendo Roberta devem ser investigadas pela PF e fez acusações contra Flávio relacionadas ao mesmo caso.
Na sequência, o presidente citou Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que vive nos Estados Unidos, e o acusou de atuar contra os interesses brasileiros ao buscar apoio do governo de Donald Trump.
Flávio negou as acusações e voltou a criticar Lula pela situação envolvendo seu filho.
As declarações dos candidatos sobre supostas irregularidades envolvendo familiares não representam, por si só, comprovação das acusações.
O debate da Band marcou o primeiro encontro direto entre Lula e Flávio Bolsonaro na disputa presidencial de 2026.
Durante o programa, os candidatos discutiram segurança pública, economia, corrupção e relações internacionais, além de protagonizarem momentos de confronto pessoal.
A troca de provocações ocorreu a uma semana do segundo turno, marcado para 25 de outubro, em um cenário de empate técnico nas pesquisas eleitorais mais recentes.