
A Inter de Limeira oficializou nesta segunda-feira (19) uma das maiores mudanças de sua história recente. A SAF do clube foi assinada e passa a ter um grupo de investidores que conta com Ronaldo Fenômeno e Roberto Carlos, pentacampeões mundiais com a Seleção Brasileira.
O grupo ficará com 80% das ações da SAF, enquanto os 20% restantes continuarão pertencendo à associação. O acordo havia sido aprovado pelos conselheiros em agosto, por 53 votos favoráveis e apenas um contrário, mas a assinatura definitiva acabou adiada por questões burocráticas.
O projeto chama atenção principalmente pelo tamanho da ambição: o planejamento financeiro trabalha com investimentos projetados de até R$ 454 milhões ao longo de dez anos, tendo como principal meta esportiva levar a Inter à Série A do Campeonato Brasileiro em até oito temporadas.
O valor é expressivo, mas precisa ser interpretado corretamente.
Os R$ 454 milhões não representam um depósito imediato nem um aporte integral garantido na assinatura do contrato. Trata-se de uma projeção financeira para dez anos, relacionada ao desenvolvimento da SAF e ao cumprimento das metas estabelecidas no plano de negócios.
Para o período inicial, o projeto prevê até R$ 20 milhões entre 2026 e 2027, além da responsabilidade do grupo sobre dívidas do clube estimadas anteriormente em aproximadamente R$ 8,5 milhões.
A proposta também contempla fortalecimento das categorias de base e investimentos em infraestrutura, com a estrutura de treinamento entre as prioridades.
É um projeto que pretende ir além da contratação de jogadores. A ideia é aumentar a capacidade estrutural e financeira da Inter para que o crescimento esportivo possa ser sustentado ao longo dos próximos anos.
A presença de Ronaldo naturalmente aumenta a repercussão do projeto.
O Fenômeno já acumulou experiência como proprietário da SAF do Cruzeiro, período em que o clube mineiro conseguiu retornar à Série A. O executivo Enrico Ambrogini, que lidera o projeto da Inter, também trabalhou no Cruzeiro durante a gestão de Ronaldo.
Roberto Carlos chega como outro nome de enorme peso institucional e comercial.
O grupo ainda conta com o príncipe saudita Abdullah bin Saad bin Abdulaziz Al Saud e outro investidor estrangeiro.
A presença de dois campeões mundiais não garante sucesso esportivo, evidentemente, mas oferece à Inter algo que poucos clubes do interior possuem: enorme capacidade de exposição de marca e contatos internacionais.
Transformar isso em receita, estrutura e desempenho será o verdadeiro desafio da nova administração.
A SAF também assume um clube que já apresenta resultados esportivos importantes.
A Inter conquistou dois acessos nacionais consecutivos. Em 2025, subiu da Série D para a Série C. Neste ano, garantiu a promoção para a Série B de 2027, encerrando uma ausência de 35 anos da segunda divisão nacional.
O retorno coloca o clube novamente em uma competição de alcance nacional e cria um cenário muito diferente daquele existente quando as primeiras conversas pela SAF começaram.
Existe, entretanto, uma questão jurídica ainda pendente. O Paysandu apresentou ao STJD um pedido de impugnação relacionado à última rodada da Série C, resultado que pode afetar a configuração do acesso. Até o momento, a Inter permanece com a vaga conquistada esportivamente, enquanto o caso segue em análise.
A ambição de chegar à Série A também possui relação com o passado do clube.
A Inter de Limeira não é uma equipe sem tradição tentando alcançar a elite pela primeira vez.
O Leão já disputou sete edições da Série A, foi campeão da Série B em 1988 e possui uma das conquistas mais importantes da história do futebol do interior: o Campeonato Paulista de 1986.
Quarenta anos depois daquele título estadual, o clube tenta iniciar outro ciclo de crescimento.
O primeiro desafio será estruturar uma equipe capaz de competir em 2027, temporada na qual também buscará retornar à elite estadual.
Mas o objetivo de longo prazo é consideravelmente maior.
Ronaldo, Roberto Carlos e seus parceiros assumem um clube que acaba de conquistar dois acessos consecutivos. Agora, terão até oito temporadas, segundo o planejamento apresentado, para tentar cumprir a missão mais ambiciosa do projeto: devolver a Inter de Limeira à Série A do futebol brasileiro.
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