
O Atlético-GO chega a uma das semanas mais importantes de sua temporada cercado por tensão fora de campo. Depois de os jogadores tornarem públicos atrasos em salários e outras obrigações financeiras, o clube decidiu fechar os treinamentos para imprensa e torcedores e cancelar as entrevistas antes do confronto contra o Novorizontino.
A partida será disputada neste sábado, às 16h30, pela 35ª rodada da Série B. O Dragão ocupa a sexta colocação, com 54 pontos, e tenta defender a última posição que garante vaga nos playoffs de acesso.
Dentro de campo, portanto, o momento já exigia concentração máxima.
Fora dele, surgiu uma crise que a diretoria agora tenta impedir que interfira na reta final da competição.
A tensão aumentou depois que integrantes do elenco divulgaram uma nota conjunta anunciando que não concederiam entrevistas enquanto as pendências financeiras não fossem solucionadas.
Segundo os próprios jogadores, existem atrasos referentes a dois meses de salários, duas parcelas de direitos de imagem e recolhimentos de FGTS, além de pendências de 13º salário e férias envolvendo parte do grupo.
Nomes importantes do elenco, como Gustavo Coutinho e Adriano Martins, compartilharam o manifesto.
Os atletas, porém, fizeram uma distinção importante: o protesto envolve a relação com a imprensa, mas não representa paralisação das atividades esportivas. O elenco informou que continuará treinando e cumprindo normalmente suas obrigações dentro de campo.
Depois da manifestação, o Atlético anunciou que os treinamentos desta semana seriam realizados de maneira privada.
Também não haverá entrevistas coletivas.
A justificativa apresentada pelo clube foi diminuir a exposição de jogadores e comissão técnica diante do caráter decisivo do confronto de sábado.
A decisão representa uma mudança considerável na rotina de um clube historicamente acessível à imprensa local.
Na prática, cria-se uma espécie de blindagem até a partida contra o Novorizontino.
O problema é que fechar os portões reduz a exposição, mas não resolve a origem da crise.
Na semana passada, o presidente Adson Batista já havia admitido a existência de pendências e afirmado que pretendia regularizar parte dos valores antes do confronto contra a Ponte Preta.
Segundo o dirigente, a situação financeira também está relacionada ao não recebimento de aproximadamente R$ 16 milhões referentes a negociações de atletas com outros clubes.
A regularização esperada, porém, não ocorreu até o momento, segundo as informações apresentadas pelos próprios jogadores.
Com a manifestação pública do elenco, um problema que vinha sendo administrado internamente passou a acompanhar diretamente a preparação esportiva.
O momento torna a situação ainda mais delicada.
O Atlético não vence há três rodadas e vem de um empate por 1 a 1 contra a já rebaixada Ponte Preta. Mesmo assim, os tropeços dos concorrentes permitiram que o Dragão permanecesse na sexta posição, com 54 pontos.
CRB e Sport seguem próximos.
Agora, o adversário será justamente o Novorizontino, vice-líder da Série B com 61 pontos e ainda envolvido diretamente na disputa pelas primeiras posições.
Ou seja, o Atlético terá pela frente um dos adversários mais fortes da competição justamente quando precisa administrar queda de rendimento e turbulência interna.
A decisão de fechar os treinamentos é compreensível do ponto de vista esportivo. Com quatro rodadas restantes, preservar jogadores de questionamentos repetidos sobre salários pode permitir que a comissão técnica concentre o ambiente no confronto de sábado.
Mas existe outro lado.
O protesto não surgiu por causa da exposição dos jogadores. Surgiu, segundo o próprio elenco, pelo descumprimento de obrigações financeiras.
Por isso, a verdadeira resposta para a crise não está apenas em fechar os portões do CT, mas em solucionar as pendências apresentadas pelos atletas.
O Atlético ainda ocupa uma posição que pode levá-lo de volta à Série A. Faltam quatro rodadas e o clube depende de seus próprios resultados para defender seu lugar nos playoffs.
Só que, neste momento, o desafio deixou de ser apenas esportivo.
O Dragão precisa proteger o G6 dentro de campo enquanto tenta impedir que uma crise financeira comprometa justamente a fase mais decisiva de sua temporada.