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PF prende mãe e irmão de Oruam em operação contra o CV

Operação Backbone investiga esquema de controle ilegal do fornecimento de internet em comunidades do Rio de Janeiro; ação também mira Marcinho VP e prevê bloqueio de até R$ 558 milhões

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
19/10/2026 às 18h32
PF prende mãe e irmão de Oruam em operação contra o CV
Foto: Reprodução

A Polícia Federal prendeu, nesta segunda-feira (19), Márcia Gama e Lucas Santos Nepomuceno, conhecidos por serem mãe e irmão do rapper Oruam, durante uma operação contra um esquema de exploração ilegal do serviço de internet em comunidades do Rio de Janeiro. A investigação aponta que integrantes do Comando Vermelho (CV) utilizavam ameaças e violência para controlar o fornecimento de internet e arrecadar dinheiro com o serviço.

Batizada de Operação Backbone, a ação resultou, até o momento informado, na prisão de 20 pessoas. Entre os investigados está Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, pai do artista e apontado como uma das lideranças históricas da facção. Ele já está preso no Sistema Penitenciário Federal.

O vereador do Rio de Janeiro Fabio Silva também foi preso, em Londrina, no Paraná. A defesa do parlamentar nega as acusações e qualquer envolvimento com atividades criminosas.

Como funcionava a chamada internet do tráfico?

Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado impunha um monopólio do fornecimento de internet em comunidades dos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão.

O esquema funcionava por meio de ameaças a empresas concorrentes e aos moradores.

De acordo com os investigadores, integrantes armados da facção cortavam cabos, incendiavam equipamentos de distribuição e impediam o trabalho de manutenção das operadoras regulares.

Com a infraestrutura dos concorrentes danificada, moradores e comerciantes ficavam pressionados a contratar provedores autorizados pelo grupo criminoso.

Essas empresas, por sua vez, pagariam taxas mensais à facção para continuar operando nas áreas controladas.

Registros contábeis analisados pela PF indicam que, em determinado mês, a exploração do serviço de internet representou mais de 40% da arrecadação do grupo no Complexo da Penha.

PF investiga participação de familiares e lavagem de dinheiro

A investigação também apura a suspeita de que Marcinho VP continuaria exercendo influência sobre atividades empresariais nos territórios dominados pela facção, mesmo estando preso há quase três décadas.

Segundo a Polícia Federal, o esquema envolveria familiares, operadores financeiros e outras lideranças criminosas.

Os investigadores suspeitam que parte dos recursos obtidos com a cobrança pelo serviço de internet fosse repassada por meio de empresas e contas bancárias utilizadas para dificultar a identificação da origem do dinheiro.

Entre os mecanismos investigados estão produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão adquiridos com dinheiro em espécie e operações com criptomoedas.

A prisão dos investigados não representa condenação. A participação individual de cada pessoa e as suspeitas de lavagem de dinheiro ainda dependem da apuração e da análise judicial.

Operação prevê bloqueio de R$ 558 milhões

A Operação Backbone foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e prevê o cumprimento de 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão.

As diligências ocorrem no Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé, além de medidas em unidades prisionais.

A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 558 milhões, envolvendo 40 pessoas e 42 empresas.

Entre os negócios investigados estão provedores de internet, produtoras de eventos, empresas de contabilidade e companhias suspeitas de serem utilizadas para movimentar recursos de origem criminosa.

A decisão judicial também prevê a suspensão das atividades econômicas de empresas envolvidas no esquema.

O que acontece com os serviços de internet?

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será comunicada sobre as empresas investigadas para a adoção das medidas cabíveis, incluindo a possível cassação de autorizações e a interrupção das atividades irregulares.

Segundo a Polícia Federal, as providências deverão considerar a continuidade do acesso à internet para os moradores das comunidades atingidas.

A investigação busca identificar os responsáveis pelo esquema, interromper o financiamento da facção e impedir que o controle de serviços essenciais seja utilizado como fonte de arrecadação criminosa.

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