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Macron critica Trump por explorar protestos na França em campanha

Presidente francês acusa líderes estrangeiros de distorcer informações sobre manifestações e rejeita associação dos atos à imigração

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
21/10/2026 às 15h12
Macron critica Trump por explorar protestos na França em campanha
Foto: Reprodução

O presidente da França, Emmanuel Macron, criticou nesta quarta-feira (21) declarações de líderes estrangeiros sobre a onda de protestos que atinge o país. Durante uma visita a Doha, no Catar, Macron acusou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e outros representantes políticos de utilizarem os episódios de violência nas manifestações para obter vantagens eleitorais. As críticas ocorreram após Trump associar os protestos à imigração e defender o fechamento das fronteiras francesas.

Sem citar nomes inicialmente, Macron afirmou que governantes estavam fazendo campanha política a partir da crise francesa. Questionado diretamente sobre Trump, confirmou que o presidente norte-americano estava entre os alvos das críticas.

O francês também negou haver indícios de interferência estrangeira na organização dos protestos, mas alertou para a circulação de informações manipuladas sobre os acontecimentos. Segundo Macron, vídeos falsos produzidos com inteligência artificial e narrativas que responsabilizam imigrantes pela violência têm contribuído para distorcer a compreensão dos fatos.

Trump associa manifestações à imigração

As críticas de Macron surgiram depois de Trump afirmar que a França estaria enfrentando uma crise provocada pela entrada de imigrantes. O presidente norte-americano também relacionou os confrontos a grupos islâmicos e sugeriu que o governo francês reforçasse o controle das fronteiras.

As declarações ocorrem durante a campanha para as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que renovarão a Câmara dos Representantes, parte do Senado e definirão governos estaduais. O pleito é considerado um teste importante para a força política de Trump e de seus aliados republicanos.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também comentou os episódios de violência, associando a situação francesa ao avanço do extremismo islâmico. Netanyahu disputa a reeleição em Israel e recebeu apoio público de Trump.

O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, reforçou a posição de Macron e pediu moderação e respeito aos representantes estrangeiros que comentam a crise.

Entenda a origem dos protestos na França

As manifestações começaram em setembro, inicialmente lideradas por estudantes que denunciavam a falta de professores, a precariedade das escolas e as dificuldades enfrentadas pelo sistema educacional francês.

A tensão aumentou em 5 de outubro, quando um adolescente de 15 anos perdeu uma das mãos após a explosão de uma granada durante uma intervenção policial em Lens, no norte da França. O episódio provocou questionamentos sobre o uso da força pelas autoridades e ampliou a mobilização estudantil.

Nas semanas seguintes, os atos passaram a reunir trabalhadores, sindicatos e outros movimentos sociais. As reivindicações incluíram críticas ao aumento do custo de vida, à desigualdade social e aos gastos públicos.

No sábado (17), manifestações ocorreram em diferentes cidades, incluindo Paris, Lyon e Marselha. Mais de 500 mil pessoas participaram dos protestos, segundo os números divulgados pelas autoridades francesas.

Embora grande parte das mobilizações tenha ocorrido de forma pacífica, alguns atos terminaram em confrontos com a polícia, saques, incêndios de veículos e ataques a prédios públicos. Centenas de pessoas foram detidas.

Governo francês promete reforçar segurança

Macron condenou os episódios de violência e afirmou que o governo não permitirá que grupos utilizem as manifestações para promover destruição e desordem. As autoridades francesas também anunciaram reforço no policiamento diante da possibilidade de novos protestos.

Ao mesmo tempo, o presidente reconheceu a existência de insatisfação popular relacionada às condições de ensino e às dificuldades econômicas enfrentadas pela população.

A crise ocorre em um momento de pressão sobre o governo francês, marcado pelo aumento do custo de vida e por disputas sobre as políticas econômicas e sociais do país.

Com novas mobilizações previstas para os próximos dias, a França enfrenta o desafio de responder às reivindicações dos manifestantes e conter os episódios de violência. No cenário internacional, as declarações de Trump e Netanyahu ampliaram a repercussão política dos protestos e provocaram uma reação diplomática do governo francês.

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