
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comparou a disputa sobre a quebra de sigilos com Flávio Bolsonaro (PL) a uma partida de truco. Durante um ato de campanha em Belo Horizonte, Minas Gerais, na quarta-feira (21), Lula afirmou que o adversário havia aumentado a aposta ao apresentar novas exigências para divulgar seus dados pessoais e financeiros. Em resposta, o petista prometeu elevar o desafio nesta quinta-feira (22).
"Essa semana eu pedi para o Flávio abrir sigilo. Hoje ele inventou um monte de mentiras e trucou 6. Eu vou meter um 9 na cara dele amanhã", declarou o presidente aos apoiadores.
Na sequência, Lula manteve a comparação com o jogo de cartas e afirmou que o senador não teria boas cartas para continuar a disputa. O presidente ainda citou algumas das cartas mais fortes do truco, como o zap e os setes, e disse que aprendeu a jogar com os mineiros.
A provocação aconteceu em meio à troca de desafios entre os dois candidatos à Presidência, que disputam o segundo turno marcado para domingo, 25 de outubro.
O confronto começou após Lula desafiar Flávio Bolsonaro, durante o debate da Band, a divulgar seus sigilos bancário, fiscal e eletrônico referentes aos últimos oito anos.
O presidente formalizou uma proposta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), oferecendo acesso aos próprios dados e aos de familiares, desde que Flávio também autorizasse a divulgação de informações suas, de parentes e de empresas ligadas ao seu grupo.
Flávio respondeu com uma contraproposta que ampliou as exigências. Entre elas estão a abertura de informações financeiras de familiares e assessores de Lula, registros de visitas ao Palácio do Planalto, dados relacionados ao Instituto Lula e despesas do cartão corporativo da Presidência.
Na quarta-feira, a coordenação da campanha petista informou que Lula não se opõe às condições apresentadas pelo senador, desde que as exigências de transparência sejam cumpridas por ambos os lados.

Após a troca de propostas, a campanha de Lula anunciou que apresentaria uma resposta formal ao Tribunal Superior Eleitoral nesta quinta-feira (22), às 11h.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também participou da discussão e afirmou que Flávio apresentou 19 exigências para autorizar a divulgação dos dados. Na avaliação de Alckmin, as condições indicariam resistência do senador à abertura dos sigilos.
A declaração foi contestada pela postura adotada pela campanha de Flávio, que sustenta que a divulgação precisa alcançar também pessoas e empresas ligadas ao presidente.
A discussão acontece nos últimos dias da campanha presidencial e ainda depende da formalização dos compromissos assumidos pelos candidatos. Até o momento, a troca de propostas não significa que os dados bancários, fiscais e pessoais tenham sido efetivamente divulgados.
Com a votação marcada para domingo (25), a comparação com o truco se tornou mais um capítulo do confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro na reta final da disputa pelo Palácio do Planalto.