
A virada de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 contrariou projeções divulgadas por lideranças políticas antes e durante a apuração de domingo (25). O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), chegou a prever uma vitória de Flávio por aproximadamente seis milhões de votos. O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), também apostava no candidato do PL. Já o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), antecipou corretamente a vitória de Lula quando apenas 1,87% das urnas haviam sido apuradas.
O resultado oficial, divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), confirmou a reeleição de Lula para um quarto mandato. O presidente conquistou 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença entre os candidatos foi de 4.430.191 votos.
A eleição também ficou marcada por uma virada histórica. No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio havia terminado à frente, com cerca de 47% dos votos válidos, contra 45% de Lula. Três semanas depois, o petista conseguiu ampliar sua votação e reverter a vantagem do adversário.

O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, publicou um vídeo nas redes sociais no domingo (25), no início da apuração, apresentando cálculos que apontavam para a vitória de Flávio Bolsonaro.
Segundo Tarcísio, a estimativa foi elaborada a partir de dados oficiais do TSE, organizados em uma planilha do Excel e analisados com a chamada Simulação de Monte Carlo.
Pela projeção, Flávio terminaria com 53% dos votos válidos, contra 47% de Lula, alcançando uma vantagem estimada em aproximadamente seis milhões de votos.
A previsão, porém, não se confirmou. Lula terminou a eleição com 51,79%, enquanto Flávio obteve 48,21%, invertendo a liderança projetada pelo governador paulista.
A diferença entre os percentuais previstos e os resultados oficiais foi de 4,79 pontos percentuais para cada candidato.
A Simulação de Monte Carlo é uma técnica estatística que utiliza cálculos repetidos e variáveis aleatórias para estimar possíveis resultados. Entretanto, sua precisão depende das informações utilizadas, das hipóteses adotadas e da capacidade do modelo de representar o comportamento real dos eleitores.
O uso de dados oficiais e ferramentas matemáticas não garante, por si só, que uma projeção eleitoral esteja correta.

Em Goiânia, o prefeito Sandro Mabel também reconheceu que sua previsão de vitória de Flávio Bolsonaro não se concretizou.
Após a confirmação do resultado, Mabel afirmou que havia construído sua expectativa com base nos números divulgados pelas pesquisas eleitorais.
“Normalmente, nas minhas contas, eu acerto projeções”, declarou ao comentar o resultado. Em seguida, reconheceu que a vantagem esperada para o senador não se confirmou.
O prefeito atribuiu parte da vitória de Lula ao desempenho do presidente no Nordeste, região onde o petista obteve ampla maioria dos votos.
Na avaliação de Mabel, os candidatos de direita não conseguiram apresentar propostas que modificassem significativamente a preferência dos eleitores nordestinos.
Os dados da votação mostram que Lula ampliou sua participação na região entre os dois turnos, chegando a aproximadamente 69,8% dos votos válidos no Nordeste na etapa final da disputa.
Depois de reconhecer o erro na previsão, Mabel defendeu que o próximo mandato presidencial priorize o controle das despesas públicas, a redução dos juros e a presença de profissionais técnicos na administração federal.

Enquanto Tarcísio e Mabel apostavam na vitória de Flávio, o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, declarou que Lula venceria a eleição quando apenas 1,87% das urnas estavam apuradas.
A afirmação foi registrada em um vídeo publicado nas redes sociais ainda nos primeiros momentos da divulgação dos resultados.
Bacharel em Matemática, Fonteles participou do comando da campanha de Lula no segundo turno e demonstrou confiança na recuperação eleitoral do presidente.
“Com esse percentual, de quase 2% das urnas apuradas, já podemos dizer que Lula vai vencer as eleições”, afirmou.
A previsão se confirmou ao longo da noite. Durante a totalização, Lula chegou a perder a liderança parcial para Flávio Bolsonaro, mas depois voltou à frente e manteve a vantagem até o encerramento da apuração.
Embora tenha antecipado corretamente o vencedor, o material divulgado não permite avaliar com precisão o método utilizado por Fonteles nem o grau de incerteza de sua projeção.
Apesar das estimativas divulgadas por políticos, institutos e analistas, somente a totalização dos votos realizada pela Justiça Eleitoral determina o resultado de uma eleição.
No domingo, a vitória de Lula foi confirmada pelo TSE às 21h08, quando aproximadamente 97% das urnas haviam sido apuradas e a vantagem do presidente já não poderia ser revertida.
Com 100% das seções totalizadas, o resultado definitivo confirmou a diferença de 4,4 milhões de votos a favor do petista.
O contraste entre as previsões de Tarcísio e Mabel e a antecipação feita por Fonteles mostra como modelos e interpretações podem chegar a conclusões diferentes diante de uma eleição apertada. Também reforça a importância de distinguir estimativas estatísticas, avaliações políticas e resultados oficiais.
A disputa de 2026 terminou com uma virada inédita desde a redemocratização e deixou como um de seus principais episódios o desencontro entre algumas projeções eleitorais e a escolha registrada nas urnas.