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Avião ligado à suposta fuga de Flávio permanece na Argentina

Jato particular Gulfstream G400, que teria sido usado pelo senador para viajar aos Estados Unidos, teve decolagem suspensa em Puerto Iguazú; autoridades ainda não confirmaram a presença do parlamentar

Redação
Por: Redação
27/10/2026 às 11h13 Atualizada em 27/10/2026 às 11h40
Avião ligado à suposta fuga de Flávio permanece na Argentina
Foto: Reprodução/Infobae

Um avião particular apontado como possível meio de transporte do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos permanece no aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina, após ter um voo suspenso na madrugada desta terça-feira (27). A aeronave, um Gulfstream G400 de matrícula LV-JQW, pertence à empresa argentina Baires Fly S.A. e tinha partida inicialmente prevista para as 2h, com destino a Fort Lauderdale, na Flórida. A informação foi divulgada pelo portal argentino Infobae, que relacionou o voo à suspeita de uma tentativa de saída do Brasil pelo candidato derrotado nas eleições presidenciais.

Segundo a reportagem, o avião chegou a Puerto Iguazú às 23h45 de segunda-feira (26), vindo do Aeroparque Jorge Newbery, em Buenos Aires. A programação indicava uma viagem internacional com quatro passageiros e três tripulantes, mas a decolagem não aconteceu.

Fontes da Polícia de Segurança Aeroportuária argentina (PSA) relataram ao Infobae que um dos quatro passageiros previstos não compareceu para o embarque, o que teria provocado a suspensão do voo. A Polícia de Misiones confirmou ao veículo que a aeronave continuava no aeroporto.

A imprensa local informou que havia previsão de uma nova tentativa de decolagem às 17h desta terça-feira, em direção à Flórida. Até a publicação dessas informações, não havia confirmação de que o voo tivesse sido realizado.

O que se sabe sobre o avião?

O Gulfstream G400 citado na reportagem é uma aeronave executiva de longo alcance, fabricada em 2004 pela empresa norte-americana Gulfstream Aerospace.

O modelo possui capacidade para até 14 passageiros, dois motores Rolls-Royce Tay e autonomia estimada entre 7 mil e 7,8 mil quilômetros, dependendo das condições de operação.

O avião está registrado na Argentina desde 25 de setembro de 2020, sob a matrícula LV-JQW, em nome da Baires Fly S.A., empresa de aviação privada e comercial fundada em 1996.

Antes de receber a matrícula argentina, a aeronave utilizou diferentes registros nos Estados Unidos e no México, incluindo N524GA, N522AC, N522AG, XA-CHG e N152GA.

A empresa responsável pelo jato opera a partir do Aeroparque de Buenos Aires. Conforme as informações publicadas pelo Infobae, Luis Grande aparece como presidente da companhia, María Belén Grande Ratti como vice-presidente e María Florencia Grande Ratti como diretora suplente.

A identificação do avião e de sua empresa proprietária não comprova qualquer participação de Flávio Bolsonaro na viagem.

Flávio teria atravessado a fronteira com documento de identidade

A suspeita de uma possível ligação do senador com o voo surgiu após o Infobae publicar que ele teria deixado o território brasileiro pela fronteira com a província argentina de Misiones.

De acordo com a primeira versão divulgada pelo portal, Flávio teria utilizado a carteira de identidade para entrar na Argentina e seguir até o aeroporto de Puerto Iguazú, de onde embarcaria para os Estados Unidos.

A companhia aérea teria iniciado procedimentos de alfândega e imigração para os passageiros da viagem internacional.

Entretanto, informações posteriores colocaram a hipótese em dúvida. Segundo o Infobae, fontes do Ministério da Segurança da Argentina afirmaram que não havia registro de entrada legal do senador no país.

A Polícia Federal brasileira também verificou que Flávio não havia passado pelos controles migratórios regulares do Brasil, conforme informações publicadas pelo jornal O Globo.

Até a manhã desta terça-feira, não havia confirmação de que o parlamentar tivesse chegado ao aeroporto argentino ou embarcado na aeronave.

Polícia Federal investiga possível saída do Brasil

A Polícia Federal passou a verificar os registros de fronteira e entrou em contato com autoridades argentinas para tentar esclarecer se Flávio Bolsonaro deixou o país.

A investigação ocorre depois que o senador afirmou ter recebido, na segunda-feira (26), uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes e não sair do território brasileiro.

Segundo Flávio, agentes da PF comunicaram a medida quando ele deixava a residência de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília.

A decisão estabeleceu prazo de 24 horas para a entrega dos passaportes comum e diplomático. A restrição estaria relacionada a investigações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz.

Flávio nega irregularidades e afirmou que cumpriria a ordem judicial, além de apresentar sua defesa.

A possibilidade de uma saída do Brasil ganhou repercussão dois dias depois da derrota do senador para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.

Eduardo Bolsonaro nega viagem e ironiza informação

A versão de que Flávio teria deixado o país foi contestada por familiares e aliados políticos.

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador e residente nos Estados Unidos, ironizou a notícia em declaração à jornalista Mariana Sanches, do UOL.

“É o Elon Musk que está mandando um foguete”, afirmou. Em seguida, negou a informação e atribuiu sua divulgação a adversários políticos.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio, também negou que ele tivesse deixado o Brasil.

Apesar das negativas, a imprensa brasileira relatou dificuldades para entrar em contato diretamente com o parlamentar nas primeiras horas desta terça-feira.

Paradeiro do senador continua sem confirmação

A permanência do avião em Puerto Iguazú e a suspensão do voo previsto para os Estados Unidos são informações que passaram a ser examinadas diante dos relatos sobre uma possível viagem de Flávio Bolsonaro.

No entanto, não há comprovação de que o senador estivesse entre os passageiros previstos ou de que tenha atravessado a fronteira brasileira.

As autoridades argentinas não confirmaram sua entrada no país, enquanto a Polícia Federal brasileira continua verificando os registros disponíveis.

O caso permanece cercado de versões contraditórias. A eventual confirmação de uma saída do território nacional após a determinação do STF poderá ter consequências jurídicas, mas isso dependerá da comprovação dos fatos e da análise das autoridades competentes.

-Por: Lucas Leonardo, estudande de Jornalismo. Goiânia - GO

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