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Líder espírita é investigado por suspeita de abuso sexual em Goiânia

Ministério Público apura denúncias de manipulação religiosa e possível exigência de conteúdo sexual em troca de cestas básicas; quatro mandados foram cumpridos nesta terça-feira (27)

Redação
Por: Redação
27/10/2026 às 11h53
Líder espírita é investigado por suspeita de abuso sexual em Goiânia
Foto: Reprodução

O Ministério Público de Goiás (MP-GO) deflagrou, nesta terça-feira (27), a Operação Luz e Sombra, que investiga suspeitas de violência sexual contra mulheres envolvendo o ex-presidente da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo, localizada no Jardim Guanabara II, em Goiânia. Segundo o órgão, o investigado teria utilizado sua posição de liderança religiosa para cometer abusos e explorar a vulnerabilidade de mulheres atendidas pela instituição.

Durante a operação, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-dirigente, incluindo a sede da comunidade. A investigação também apura a possível divulgação, sem consentimento, de fotografias e vídeos íntimos de uma das mulheres.

O procedimento começou após uma integrante da comunidade apresentar uma denúncia ao Ministério Público. A partir do relato, os investigadores identificaram indícios de que outras mulheres possam ter sido vítimas de condutas semelhantes no mesmo ambiente religioso.

Cestas básicas teriam sido usadas para obter conteúdo sexual

De acordo com o MP-GO, o ex-presidente teria se aproveitado da confiança das mulheres e de sua autoridade espiritual para submetê-las a situações que podem configurar crimes contra a dignidade sexual.

Uma das suspeitas mais graves envolve o programa assistencial da instituição. Segundo os investigadores, há indícios de que a entrega de cestas básicas teria sido utilizada como contrapartida para obter fotografias ou outros materiais de conteúdo sexual de mulheres em situação de vulnerabilidade social.

O Ministério Público também investiga a possibilidade de o suspeito ter compartilhado imagens íntimas de uma das mulheres com terceiros, sem autorização.

Entre os crimes analisados estão a violação sexual mediante fraude e a divulgação não consentida de conteúdo íntimo.

As denúncias ainda estão sendo apuradas, e não há conclusão judicial sobre a responsabilidade do investigado.

Justiça determina restrições ao ex-dirigente

Além das buscas, a Justiça autorizou o acesso a dados telemáticos do investigado, que poderão auxiliar na identificação de possíveis vítimas e na análise de mensagens, imagens e outros registros digitais.

O ex-presidente também foi proibido de frequentar a sede da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo e de participar de eventos promovidos pela instituição em outros locais.

Outra medida cautelar determina que ele compareça mensalmente à Justiça.

Segundo o Ministério Público, o investigado foi afastado da presidência da comunidade em julho deste ano, após uma assembleia geral extraordinária. Desde então, a instituição está sob nova administração, e sua sede permanece temporariamente fechada.

MP investiga possível atuação em outra cidade

As investigações também identificaram informações de que o ex-dirigente estaria desenvolvendo atividades religiosas em Santa Helena de Goiás, município localizado a cerca de 210 quilômetros de Goiânia.

De acordo com o MP-GO, ele estaria articulando a abertura de um novo centro religioso na cidade.

A possibilidade aumentou a preocupação dos investigadores com o risco de que o suspeito voltasse a exercer uma posição de autoridade espiritual para se aproximar de outras mulheres em situação de vulnerabilidade.

A operação é conduzida por uma força-tarefa formada pela Procuradoria-Geral de Justiça, pela 44ª Promotoria de Justiça de Goiânia, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), pelo Centro de Apoio Operacional Criminal e pelo Núcleo de Apoio às Vítimas (Navita).

Possíveis vítimas podem procurar o Ministério Público

O MP-GO orienta que mulheres que tenham sofrido possíveis abusos ou pessoas que possuam informações sobre os fatos investigados entrem em contato com o Núcleo de Apoio às Vítimas.

O atendimento pode ser realizado por telefone, e-mail ou presencialmente na sede do Ministério Público, em Goiânia.

Canais de atendimento do Navita:

  • Telefone: (62) 3243-5119

  • E-mail: navita@mpgo.mp.br

  • Presencial: edifício-sede do Ministério Público de Goiás, Sala T-22, Ala B.

O procedimento investigatório tramita sob sigilo para preservar as informações e a identidade das possíveis vítimas.

O nome do ex-dirigente não foi divulgado pelo Ministério Público. Até a publicação das informações, não havia posicionamento público da defesa.

A investigação continua para esclarecer as denúncias, identificar eventuais outras vítimas e verificar se os fatos relatados configuram crimes previstos na legislação brasileira.

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