
A Caixa Econômica Federal vai criar um fundo imobiliário com imóveis dos Correios para ajudar a estatal a obter novas receitas e reequilibrar suas finanças. A informação foi confirmada pelo presidente do banco, Carlos Vieira, que também anunciou medidas para estimular o crédito habitacional no país.
Segundo Vieira, o fundo será uma alternativa complementar ao empréstimo que está em análise pelo governo, estimado em até R$ 20 bilhões.
“O que for medida para ajudar os Correios, de geração de receita, podem contar com a Caixa”, afirmou em entrevista à Folha de S. Paulo.
A proposta prevê reunir os imóveis avaliados em R$ 5,5 bilhões em um fundo que permitirá operações de aluguel e leasing back — modalidade em que a empresa vende seus próprios ativos e os aluga de volta, garantindo o uso do imóvel e reforçando o caixa ao mesmo tempo.
Os Correios enfrentam uma grave crise financeira: no primeiro semestre de 2025, a estatal registrou prejuízo de R$ 4,3 bilhões, mais que o triplo do resultado negativo do mesmo período de 2024. A empresa revisa contratos e prepara um programa de demissão voluntária para conter gastos.
Vieira também destacou as novas políticas de crédito do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, as medidas devem injetar R$ 80 bilhões no setor imobiliário nos próximos 12 meses, somando recursos para compra de imóveis e reformas residenciais.
A Caixa, que hoje responde por 68% do crédito habitacional do país, pretende reduzir sua participação para 50%, abrindo espaço para outros bancos e aumentando a concorrência. A expectativa é liberar até R$ 1 trilhão em crédito para o sistema bancário na próxima década.
O programa Reforma Casa Brasil, voltado para famílias com renda de até R$ 9,6 mil, receberá R$ 40 bilhões — sendo R$ 30 bilhões do fundo do pré-sal e R$ 10 bilhões de recursos próprios.
O banco também aposta em tecnologia e inteligência artificial para fiscalizar as obras com precisão geográfica e garantir o uso correto dos recursos.
Carlos Vieira negou interferência política em suas decisões e afirmou que continua no cargo por confiança direta do presidente Lula. Segundo ele, a Caixa pretende manter o equilíbrio entre responsabilidade social e sustentabilidade financeira, com foco na recuperação dos Correios e no fortalecimento da classe média.