
A Justiça da Itália autorizou, nesta quinta-feira (16), a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli em mais um processo — desta vez, relacionado à condenação por porte ilegal de arma de fogo. A informação foi confirmada pelo embaixador do Brasil em Roma, Renato Mosca de Souza.
Apesar da decisão favorável ao pedido brasileiro, a defesa ainda pode recorrer à Justiça italiana.
As imagens da ex-deputada com uma pistola em punho levaram à abertura de investigações no Supremo Tribunal Federal, que posteriormente a condenou a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com uso de arma.
O advogado italiano da ex-parlamentar, Pieremílio Sammarco, afirmou ter recebido a decisão com surpresa e informou que irá recorrer ao Supremo Tribunal de Cassação, a mais alta instância judicial da Itália.
Essa é a segunda decisão da Justiça italiana favorável à extradição de Zambelli. Em março, o país europeu já havia autorizado a entrega da ex-deputada ao Brasil em outro caso, relacionado à invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça.
Nesse processo, Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão por participação na inserção de documentos falsos na base de dados do CNJ, em parceria com o hacker Walter Delgatti Neto. Entre os registros adulterados estava um suposto mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
A defesa da ex-deputada apresentou recurso contra essa primeira autorização de extradição no dia 10 de abril, que ainda aguarda análise.
Carla Zambelli está presa na Itália desde 29 de julho de 2025, em um presídio nos arredores de Roma. Segundo as autoridades locais, a manutenção da prisão preventiva se deve ao risco de fuga.
A ex-deputada possui cidadania italiana e deixou o Brasil após condenação no STF, o que levou à sua inclusão na lista de procurados internacionais e ao pedido formal de extradição.
Brasil e Itália mantêm um tratado de extradição em vigor desde 1993, que prevê a cooperação entre os dois países para entrega de pessoas condenadas ou investigadas, tanto para julgamento quanto para cumprimento de pena.