
Uma megaoperação conjunta das polícias Civil e Militar deixou 24 mortos e 81 presos nesta terça-feira (28) nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A ação, que faz parte da Operação Contenção, teve como alvo integrantes do Comando Vermelho (CV) e desencadeou fortes confrontos e represálias em várias regiões da cidade.
Segundo as forças de segurança, quatro dos mortos eram policiais — dois civis e dois militares — e os outros 20 eram suspeitos de ligação com o tráfico.
Entre as vítimas estão Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, chefe de investigação da 53ª DP, e Rodrigo Velloso Cabral, da 39ª DP, além dos policiais do Bope Cleiton Serafim Gonçalves e Herbert.
“A operação segue em andamento e é parte de um esforço permanente para conter o avanço das facções”, informou a Secretaria de Segurança.
A ação mobilizou 2.500 agentes das forças estaduais para cumprir 100 mandados de prisão. Foram apreendidos 31 fuzis, duas pistolas e nove motocicletas.
O Ministério Público do Rio (MPRJ) denunciou 67 pessoas por associação ao tráfico, e outras três também por tortura.
Durante o confronto, criminosos lançaram bombas por drones, incendiaram barricadas e fecharam vias importantes como a Linha Amarela e a Grajaú-Jacarepaguá. Moradores registraram quase 200 disparos em um minuto em vídeos divulgados nas redes sociais.
Três civis ficaram feridos, entre eles um homem em situação de rua, uma mulher que estava em uma academia e um trabalhador de ferro-velho.
A violência provocou a suspensão de aulas em 45 escolas e o fechamento de cinco unidades de saúde. Doze linhas de ônibus tiveram seus trajetos desviados por segurança.
O Aeroporto Internacional do Galeão não registrou impacto direto, mas voos sobre a região chegaram a ser redirecionados por precaução.
Em coletiva de imprensa, o governador Cláudio Castro (PL) criticou a falta de apoio do governo federal e disse ter feito três pedidos de reforço das Forças Armadas, todos negados.
“O Rio está sozinho nessa guerra. É um absurdo deixarem o estado sem o apoio das Forças Armadas. Essa decisão do STF é maldita”, afirmou, referindo-se à ADPF 635, que restringe operações policiais em comunidades desde 2020.
Segundo Castro, a limitação imposta pela decisão do Supremo teria fortalecido o tráfico no estado, atraindo líderes de facções de outros estados para o Rio.
A Operação Contenção é uma estratégia permanente das forças estaduais e busca impedir a expansão territorial do Comando Vermelho.