
A Anvisa determinou a apreensão e proibiu a fabricação, importação, comercialização, distribuição, propaganda e uso da tirzepatida das marcas Synedica e TG, conhecidas nas redes sociais como “canetas do Paraguai”. A agência também proibiu a retatrutida, de todas as marcas. Os produtos estavam sendo anunciados e vendidos sem registro no Brasil, o que torna sua comercialização ilegal.
A decisão foi publicada nesta quarta-feira (21) no Diário Oficial da União e vale para qualquer pessoa física ou jurídica que produza, venda, distribua ou divulgue esses medicamentos. Segundo a Anvisa, as empresas utilizavam perfis em redes sociais para anunciar as canetas, apesar da ausência de autorização sanitária.
No caso da retatrutida, a Anvisa destaca que a substância ainda está em fase de testes clínicos e não pode ser comercializada. Embora seja divulgada como um novo tipo de agonista hormonal (da mesma classe das canetas usadas para diabetes e obesidade), não há comprovação de segurança, eficácia ou qualidade para uso fora de estudos controlados.
A proibição ocorre em meio a alertas sobre riscos do uso de medicamentos irregulares. Em Belo Horizonte, a auxiliar administrativa Kellen Oliveira Bretas Antunes, de 42 anos, está internada em estado grave desde dezembro após usar uma caneta emagrecedora adquirida ilegalmente, sem prescrição médica. Entre os primeiros sintomas, ela apresentou urina avermelhada e fraqueza muscular, evoluindo para insuficiência respiratória e alterações neurológicas.
Médicos levantaram hipóteses como intoxicação medicamentosa, síndrome de Guillain-Barré e porfiria intermitente aguda, condição rara que pode ser desencadeada por medicamentos. A paciente segue internada no Hospital das Clínicas da UFMG.
Especialistas reforçam que, quando indicadas por profissional habilitado, as canetas podem auxiliar no tratamento da obesidade e do diabetes. No entanto, o uso indiscriminado e a compra de produtos sem procedência são perigosos.
A Anvisa orienta que denúncias sobre a venda irregular de medicamentos sejam feitas aos canais oficiais do órgão ou às vigilâncias sanitárias locais.