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Master pagou R$ 5 mi a escritório de Lewandowski

Escritório recebeu R$ 250 mil mensais por 21 meses mesmo depois de ex-ministro assumir cargo no governo Lula

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
27/01/2026 às 14h39 Atualizada em 27/01/2026 às 14h56
Master pagou R$ 5 mi a escritório de Lewandowski
Foto: Reprodução

O Banco Master manteve um contrato de consultoria jurídica com o escritório do ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski por quase dois anos após ele assumir o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em janeiro de 2024. O acordo previa pagamentos mensais de R$ 250 mil e rendeu cerca de R$ 6,5 milhões ao escritório, sendo R$ 5,25 milhões pagos já durante o período em que Lewandowski ocupava cargo no governo federal.

O contrato foi assinado em 28 de agosto de 2023 e permaneceu vigente até setembro de 2025, quando o banco já enfrentava investigações por fraudes bilionárias. A contratação, segundo apuração jornalística do Metropoles, atendeu a um pedido do senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, que confirmou ter indicado Lewandowski ao banco.

Ao assumir o Ministério da Justiça, Lewandowski deixou formalmente a sociedade do escritório, com retirada registrada em 17 de janeiro de 2024, e suspendeu seu registro na OAB. A banca passou então a ser administrada por seus filhos, Enrique de Abreu Lewandowski e Yara de Abreu Lewandowski, que permaneceram como sócios durante a vigência do contrato com o Banco Master.

Mesmo após a saída do ex-ministro, os pagamentos continuaram. O objeto do contrato era a prestação de “consultoria jurídica e institucional de caráter estratégico”. Uma das atribuições previstas era a participação em reuniões do Comitê Estratégico do banco, mas Lewandowski participou de apenas duas reuniões ao longo de todo o período, segundo apuração.

Após a ida do ex-ministro para o governo, o escritório passou a ser representado pelo filho Enrique. De acordo com informações obtidas pela reportagem, não houve entregas relevantes ao banco durante esse período, apesar da continuidade dos repasses mensais.

 

Indicações políticas

Além de Lewandowski, o líder do governo no Senado também indicou nomes ao banco em outros momentos. Jaques Wagner nega, porém, ter indicado o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega ao Master — contratação que também se tornou alvo de questionamentos públicos.

Em nota, Wagner afirmou que foi consultado sobre a indicação de um jurista experiente após Lewandowski deixar o STF e considerou o nome adequado. Segundo ele, a decisão final coube ao banco.

A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou que todas as contratações ocorreram “dentro de parâmetros profissionais, regulares e técnicos”.

 

Saída antecipada do Ministério da Justiça

Integrantes do governo avaliam que a existência do contrato com o Banco Master contribuiu para acelerar a saída de Lewandowski do Ministério da Justiça, ocorrida em 10 de janeiro. A leitura no Palácio do Planalto é que a permanência do ex-ministro no cargo poderia gerar desgaste político adicional ao governo em meio ao avanço das investigações sobre o banco.

Embora já houvesse ruídos internos — como divergências com a Casa Civil e dificuldades para avançar pautas no Congresso —, a revelação do vínculo contratual da família com o Master passou a ser vista como um fator decisivo para a saída.

Em nota, a assessoria de Lewandowski afirmou que a decisão de deixar o ministério ocorreu por “motivos pessoais” e pelo desejo de seguir projetos acadêmicos e profissionais, reiterando que ele se afastou do escritório e suspendeu sua inscrição na OAB ao assumir o cargo público.

A proximidade histórica entre o PT e figuras ligadas ao Banco Master contrasta com o tom adotado recentemente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em evento realizado em Maceió, Lula afirmou que “falta vergonha na cara” de quem defende o banco e acusou a instituição de causar um prejuízo superior a R$ 40 bilhões ao sistema financeiro.

Segundo o presidente, os impactos recaem sobre bancos públicos e privados, enquanto os responsáveis pelas fraudes permanecem no centro do debate político e institucional.

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